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Homilias

Na verdade o Senhor ressuscitou…!


Mañana de resurección - SET

Na verdade o Senhor ressuscitou…!

Domingo da Páscoa – Ciclo C – 2016

Textos
1ra leitura: Atos 10,34-43
Salmo: 118, 1-2. 14-24
2da leitura: 1 Coríntios 15,19-26
Evangelho: João 20,1-18

Hoje a Igreja toda proclama o anúncio pascal: O Senhor ressuscitou aleluia! Ele está vivo! Jesus Cristo é o Senhor dos vivos e dos mortos!

Se bem todos os domingos celebramos a ressurreição de Jesus, este domingo celebramos a ressureição de maneira muito especial. E proclamamos com alegria e esperança: O Senhor ressuscitou! Ele está vivo e presente no meio de nós! E essa certeza que hoje celebramos inunda todo o nosso ser. Sua ressurreição torna novas todas as coisas. A morte e o pecado são vencidos. Pela ressureição a cruz deixa de ser um instrumento de tortura e morte para se tornar sinal de vitória, amor de Deus e salvação da humanidade. E reunidos em nome de Cristo celebramos a certeza de que sua ressurreição nos devolve a esperança de uma vida em plenitude.

O texto do Evangelho de João inicia situando a cena “no primeiro dia da semana”. E essa expressão tem um significado teológico: é o começo de um novo tempo, de uma nova criação da Páscoa definitiva que inicia com a morte e ressureição de Cristo. E cada Páscoa pode ser o início de uma vida diferente. E apesar da fragilidade da nossa fé, somos convidados à experiência de vislumbrar sinais de ressurreição, anunciadores de uma vida nova. E como Maria Madalena, deixemo-nos mover pela fé e pela sede de Deus!

Assim, a palavra de Deus que ouvimos hoje é a proclamação de uma crença: uma fé. Por isso, é desnecessário e irrelevante tentar provar para os incrédulos a ressurreição de Cristo. Os evangelistas e os primeiros discípulos e discípulas nunca perderam seu tempo tentando explicar como ou o quê aconteceu propriamente com o corpo físico de Cristo. Realmente os evangelhos no explicam a ressurreição; é a ressurreição que explica os evangelhos.

Dessa maneira, nossa fé na ressurreição de Jesus, causa de nossa esperança, baseia-se na fé e no testemunho dos primeiros discípulos. Embora ninguém tenha visto sua ressurreição, a comunidade dos primeiros discípulos percebeu e compreendeu, aos poucos, no encontro com o Senhor e pela ação do Espírito, que seu Mestre continuava vivo entre eles. Portanto, não é possível provar a ressurreição com os sentidos e com a razão; sua aceitação está no nível da fé e não da argumentação teórica. A certeza de que Jesus está vivo entre nós é um ato de fé e, acima de tudo, uma experiência de vida.

Por isso, o que temos a fazer é refletir sobre a importância da ressurreição para a vida cristã. Por um lado, desde o ponto de vista coletivo, ou seja, como comunidade cristã, como seres humanos vivendo em um mundo em transformação; e, por outro lado, também refletir sobre a importância e o que significa a ressurreição desde o ponto de vista pessoal para a pessoa que acredita e segue os ensinamentos de Jesus.

Hoje percebemos, como também perceberam os primeiros discípulos e discípulas, que Jesus está conosco. Ele está presente na palavra que ouvimos e meditamos, em cada um de nós, na nossa comunidade reunida e na partilha do pão e o vinho.

Na experiência de fé das primeiras comunidades cristãs, fundamenta-se a força missionária da Igreja que, ao longo dos séculos, teve a certeza de proclamar: “O Senhor Ressuscitou verdadeiramente, aleluia!”.

A primeira figura que aparece no texto do evangelho de hoje é Maria Madalena. E Maria Madalena é uma figura muito simbólica: representa a nova comunidade que nasceu da ação criadora de Jesus, mas que ainda não conseguiu entender o significado da morte de Jesus. Ela conta aos discípulos o que viu: “retiraram a pedra, roubaram o corpo de Jesus do túmulo e não sabemos onde o puseram”.

Os dois discípulos também revelam a dúvida da comunidade quanto à morte de Jesus. Simão Pedro e “ou outro discípulo”, aquele que Jesus amava, ao receber a notícia, vão correndo em direção ao túmulo. E chega primeiro o “discípulo amado”, aquele que esteve, junto com sua mãe, Maria a esposa de Clopas e Maria Madalena, ao lado de Jesus nos momentos decisivos: na ceia, na hora do julgamento e na hora da morte.

Talvez João, através destas figuras, quer mostrar o impacto produzido nos discípulos pela morte de Jesus e as diferentes disposições existentes entre os seguidores de Jesus. Pedro poderia representar, nos evangelhos, o discípulo obstinado, para quem a morte significa fracasso: ele se recusa a aceitar que a vida nova passe pela humilhação da cruz.

O “outro discípulo”, o “discípulo amado”, é imagem do discípulo ideal, que está em sintonia total com Jesus: corre ao seu encontro com um total empenho, ao ponto de chegar primeiro que Pedro. Ele compreende os sinais e descobre que Jesus está vivo. Diz o texto que ele viu e acreditou!

Porém, João, no evangelho que proclamamos hoje apresenta ainda dois símbolos belíssimos: as faixas de linho e o véu que cobria o rosto de Jesus. As faixas de linho eram usadas para enrolar o corpo. Era, mais o menos, a veste mortuária, que indicava o desaparecimento da vida. Mas João diz que as faixas estavam jogadas no chão, indicando que foram abandonadas. E por estarem arrebentadas e jogadas no chão, João nos dá a entender que perderam sua utilidade. E o mesmo pode ser constatado com o véu que cobria o rosto de Jesus. Porém, este, em vez de jogado no chão, estava dobrado. O véu era colocado nos corpos e significava a impossibilidade do morto de ser visto entre os vivos. Servia para esconder o rosto, que não mais poderia ver, nem poderia ser visto. O véu que cobria o rosto de Jesus estava dobrado, indicando igualmente sua inutilidade. Dessa maneira as vestes que simbolizavam a morte não vestiam mais Jesus. A prova era clara: panos no chão e véu mortuário dobrado eram inúteis para Jesus. E estes foram, segundo o evangelho de João, os primeiros símbolos da ressureição de Jesus.

Hoje somos impelidos a correr para anunciar que Jesus ressuscitou e vai à nossa frente na missão, ali onde temos tantas dificuldades para ir: ao encontro dos pecadores, dos sofredores, dos marginalizados, dos diferentes, dos desempregados, dos que não têm voz, das pessoas cuja ética e religião não se enquadram em nosso padrão. E essa talvez seja uma mensagem que pode levantar reações negativas e contrárias em algumas pessoas. Mas esse é, sem dúvida, o cerne da mensagem do evangelho de hoje. .  

Então, crer em Jesus ressuscitado é crer que Deus vai diante de nós e está conduzindo até sua verdadeira plenitude os anseios de vida, de justiça, de fraternidade e de paz que se encontram no coração da humanidade e da criação inteira.

Crer em Jesus ressuscitado é rebelar-nos com todas as nossas forças a que essa imensa maioria de homens, mulheres e crianças que só têm conhecido nesta vida, miséria, humilhação e sofrimentos fiquem esquecidos para sempre.

Crer no Jesus ressuscitado é acreditar com todas as nossas forças que um mundo melhor é possível, um mundo onde já não existirá pobreza nem dor, onde ninguém estará triste e ninguém terá que chorar.

Crer em Jesus ressuscitado é aproximar-nos com esperança e compaixão a tantas pessoas sem saúde, descapacitados físicos e psíquicos, pessoas afundadas na depressão, cansadas de viver e lutar.

Crer em Jesus ressuscitado é não aceitar que Deus seja um Deus oculto e distante, mas um Deus do qual sempre poderemos conhecer seu olhar, sua ternura e seus abraços, porque o encontraremos encarnado para sempre em Jesus, nosso amigo e nosso irmão.

Irmãos e irmãs, o júbilo e a alegria da ressurreição de Jesus Cristo necessita ser perenemente anunciado ao mundo. E seremos testemunhas autênticas da ressurreição, se escutamos e vivemos o que Ele anunciou e viveu, sobretudo em favor dos excluídos da sociedade e em favor de novas relações humanas, marcadas pelo amor.

O mais importante da ressurreição de Jesus é a ressureição da causa que Ele anunciou e assumiu durante seu ministério: a causa do Reino de Deus. E seremos testemunhas hoje da ressurreição de Jesus, se escutamos e vivemos o que Jesus fez e anunciou durante sua vida. E assim descobriremos que o Reino de Deus consiste essencialmente na aniquilação de todas as manifestações de morte. E Jesus anunciou especialmente esta boa nova aos pobres e marginalizados. São eles seus destinatários e agentes privilegiados.

É a Páscoa de Jesus: a vida ressurge como um valor de alcance universal que supera todas as barreiras que limitam, destroem e mutilam a vida. É preciso retomar a missão, a luta de Jesus. Promover a vida: eis nossa Páscoa!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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