//
você está lendo...
Homilias

A filha de Jairo e a mulher que tocou o manto de Jesus


Curación de la hija de Jairo

A filha de Jairo e a mulher que tocou o manto de Jesus

5to Domingo de Pentecostes – Ciclo B

Textos:

1ra leitura: 2 Samuel 1,1.17-27

Salmo 130 ou 30

2da leitura: 2 Coríntios 8,7-15

Evangelho: Marcos 5,21-43

O evangelho de hoje força-nos a perguntar quem é Jesus para nós: é um milagreiro? Alguém em busca de fama? Ou o Senhor da vida e da morte? A resposta a essas perguntas, muitas vezes, nós as obtemos nos momentos de provação, pois é nessas horas que nos é dado verificar até onde vai a nossa fé.

E Deus, invariavelmente, prova a nossa fé. Mas ele sempre nos diz como disse a Jairo: “Não temas, crê somente”. Depois de uma provação, a fé e as esperanças no amor de Deus sempre saem fortalecidas. Devemos, por isso, sempre e por tudo ser gratos a Deus.

Neste domingo vamos meditar sobre dois milagres de Jesus em favor de duas mulheres. O primeiro foi em favor de uma senhora considerada impura por causa de uma hemorragia que já durava 12 anos. O outro, em favor de uma menina doente de 12 anos que acabara de falecer. Conforme a mentalidade daquela época, qualquer pessoa que tocasse em sangue ou em cadáver era considerada impura. Doença, sangue e morte eram fatores de exclusão! Por isso, aquelas duas mulheres eram pessoas marginalizadas, excluídas da participação na comunidade. E hoje vamos refletir sobre isto.

Esta narrativa de Marcos, a diferença dos relatos paralelos nos outros evangelhos chamados sinópticos, ou seja, Mateus e Lucas, é muito detalhada. A descrição das personagens e os acontecimentos nos indicam minuciosamente todas as atitudes que se sucedem passo a passo: a de Jesus, os discípulos, as pessoas, os que suplicam, os que sofrem, os que fazem barulho e os que choram. Ou seja, é um relato muito vivo.

Jesus tinha sido rejeitado pelos habitantes do povoado de Gerasa que pediram para ele sair de suas terras (Mr 5,17). Mas agora, quando voltava ao lado ocidental do Lago de Galiéia, talvez a Cafarnaum, um homem chamado Jairo apareceu e se jogou a seus pés pedindo com muita insistência que fosse a sua casa para socorrer sua filha que estava morrendo.

Jairo era um homem respeitável em sua comunidade. Era uma das lideranças da sinagoga da comunidade. Porém, era evidente que tinha fé em Jesus. E sua fé nele levava-lhe a pensar que Jesus podia curar sua filha moribunda. Mas, ao que parece, Jesus queria que Jairo fosse além até compreender que também tinha poder não apenas para curar, mas também para ressuscitar dos mortos. E para isso não havia outra alternativa que esperar até que sua filha morresse.

E Jesus foi com ele, e diz o texto que uma grande multidão seguia Jesus e o apertava de todos os lados. Quais eram as expectativas dessa multidão? Não sabemos. Talvez fosse apenas mera curiosidade por presenciar alguns dos milagres de Jesus.

Mas no caminho para a casa do Jairo Jesus teve que se deter para atender a outra mulher doente que também lhe estava procurando. Segundo o evangelho essa mulher padecia de uma hemorragia e tinha gastado todos seus recursos tratando-se com muitos médicos. E no lugar de melhorar piorava cada vez mais. Era uma época em que a medicina tinha muito mais de superstição que de ciência.

Porém, na época uma doença desse tipo tinha também implicâncias religiosas e sociais, porque segundo a lei levítica uma mulher com hemorragia se encontrava numa situação de impureza cerimonial que lhe impedia participar do culto na sinagoga e da vida social. (Lv 15,25-27).

Essa mulher, tendo escutado da fama curativa de Jesus pensou apenas em tocar suas roupas, porque acreditava que somente com esse toque se curaria. Assim, chegando por trás tocou o manto de Jesus. E na hora o sangue parou e ela teve certeza que estava curada. E conta o evangelho que Jesus perguntou: “Quem tocou meu manto?” E os discípulos lhe responderam: “O Senhor está vendo como esta gente o está apertando de todos os lados e ainda pergunta isso?”

Ai Jesus ficou olhando em volta para ver quem tinha feito isso. E a mulher sabendo que não podia tocar ninguém por causa da sua doença atirou-se aos pés de Jesus tremendo de medo. Mas Jesus lhe disse: “Minha filha, você sarou porque teve fé. Va em paz e fica livre do seu sofrimento”. E a partir desse momento a mulher voltou a formar parte da vida social e religiosa da comunidade.

Mas, enquanto isso Jairo seguia ao lado de Jesus impaciente e angustiado e perguntando-se uma e outra vez porque Jesus demorava tanto com aquela mulher enquanto sua filha agonizava.

E muitas vezes nós chegamos a sentir o mesmo vendo como Deus soluciona os problemas de outras pessoas enquanto ficamos muito impacientes esperando que Deus atue também em nossa situação. E ai, devemos lembrar que Deus tem propósitos diferentes para cada um de nós.

E de repente chega a trágica notícia de que a filha de Jairo tinha morrido. E podemos imaginar o estado de animo de Jairo. A morte é sempre dolorosa, porém, quando se trata da morte de um filho ou de uma filha a situação se torna uma experiência desgarradora. Parecia que já não havia lugar para a esperança. Porque como se fala “todo tem solução menos a morte”. Por isso os discípulos falaram para Jairo: “Jairo, a menina já morreu, não aborreça mais o Mestre. Nada mais pode ser feito”. Mas, nesse mesmo instante Jesus fala para Jairo: “Não tenha medo, apenas tenha fé”.

E chegando à casa Jesus voltou-se para os discípulos, e diz: “Por que tanta confusão e choro, a menina não morreu, apenas está dormindo”. E diz o texto que os discípulos começaram a caçoar dele. E podemos estabelecer aqui um contraste entre a pouca fé dos discípulos e a grande fé de Jairo.

Jesus mandou todas as pessoas saírem e pede apenas a Pedro, Tiago e João lhe acompanhar dentro do quarto, porque segundo a lei se precisava de pelo menos de três pessoas para testemunhar a validade de um fato (cf. Dt 17,6). E entrando no quarto tomou a mão da menina e lhe diz: “Menina, eu te digo. Levanta-te!” E então a menina levantou-se e começou a andar.

E o texto termina Jesus pedindo que ninguém espalhasse a notícia do que tinha acontecido. E este comportamento de Jesus contrasta com a atitude de alguns fazedores de milagres, “milagreiros” de hoje, que alardeiam do que fazem e procuram todo tipo de publicidade. Mas Jesus nunca se prestou a satisfazer a curiosidade dos que somente andam na procura do espetacular.

Então, poderíamos nos perguntar o que o texto quer dizer para nós hoje. Em primeiro, lugar o texto se propõe nos ensinar que nossa fé em Deus deve nos levar a uma visão completamente nova das enfermidades e da morte, porque nem as enfermidades nem a morte têm um poder permanente sobre os que acreditam em Cristo. Porque tanto a enfermidade como a morte têm sido vencidas por Deus, e não têm mais um final trágico e permanente para os que com verdadeira fé acreditam em Deus.

Em segundo lugar, que devemos pensar quais as categorias de pessoas que se sentem excluídas hoje tanto na sociedade quanto na Igreja, e por que. E quais os fatores que causam exclusão hoje de tantas pessoas e lhes dificultam a vida tanto na família, na Igreja como na sociedade. Portanto, devemos agir seguindo o exemplo de  Jesus que não se importou em se deixar tocar por essa mulher considerada impura e excluída nem tocar o corpo da menina morta, o qual, de fato, o fazia transgredir o legalismo da sua época. Porque a lei do amor e a compaixão pelos mais fracos, marginalizados e excluído é mais forte e importante que qualquer legalismo ou exclusão.

E, finalmente, que como Jairo e a mulher doente do evangelho, nunca devemos perder a fé.  A fé sempre deve ser nossa maior necessidade, porque muitas vezes estamos preocupados com muitos assuntos como bens matérias, férias, status social, dinheiro etc.. Porém, o que Deus diz e quer é que precisamos de muita fé. Por isso, sempre é preciso e necessário pedir: “Senhor que a fé nunca nos abandone, e que Deus nos ajude e reforce abundantemente e sempre nossa fé”.

Como disse Jesus na cura de outro menino que estava possuído e doente: “Tudo é possível para quem tem fé! Assim, por sua vez, devemos afirmar como disse o pai do menino doente a Jesus: “Eu tenho fé, Senhor! Ajuda-me a ter mais fé ainda!” (Mc 9,23-24).

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: