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Homilias

“Fala, Senhor, estou escutando….!


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“Fala, Senhor, estou escutando….!

 

2do Domingo da Epifania – Ciclo B 

Textos

1ra leitura: 1 Samuel 3,1-10

Salmo 139,1-6

2da leitura: 1 Coríntios 6,12-20

Evangelho: João 1,43-51

Terminou o tempo de Natal, mas nesta estação da Epifania o mistério de Jesus vai se manifestando à humanidade na pessoa do homem de Nazaré. Porém, a manifestação de Deus nem sempre é clara aos nossos olhos. Porque a revelação passa pela mediação das pessoas, pelos sinais e pelos acontecimentos.

A primeira leitura de hoje narra o chamado de Samuel. Porém, a história de Samuel se inicia ainda antes de seu nascimento.  Sua mãe, Ana, era estéril. E nos diz a Bíblia que ela chorava desconsoladamente, porque ser estéril era uma das piores coisas que na época podiam acontecer a uma mulher. E Ana rogava para que Deus lhe desse um filho que seria oferecido a seu serviço. E assim nasceu Samuel, e foi apresentado no templo, e bem menino começou a servir no templo, quando  recebeu uma chamada muito especial. Deus lhe queria para ser uns dos grandes profetas do povo de Israel. Posteriormente seria Samuel quem ungiria a Davi como rei de Israel.

E o insistente chamado por parte de Deus, enquanto prestava serviço no templo, reforça a dificuldade de Samuel em identificar quem o estava chamando. Por isso, perante o chamado vai ver o sacerdote Eli para saber se era ele quem chamava. Mas Eli lhe responde, três vezes, que não foi ele quem lhe chamou.

Samuel é ainda um menino, e o Senhor se lhe manifesta de noite. E a noite é o momento em que os ruídos externos dão lugar ao silencio interior. A noite é também a hora do sono, mas para ouvir a voz do Deus que fala, é preciso acordar. De fato, na narrativa, Deus não chama o menino por meio de visões. E para poder responder Samuel precisa despertar levantar-se e caminhar. E ai, nessa noite de sono interrompido aparece a resposta de Samuel a Deus: “Fala que teu servo está escutando” (1Sm 3,10). Quando Deus quer alguém para uma tarefa importante não para de chamar-lhe.

E certamente todos somos instrumentos inúteis. Mas mesmo assim Deus atua servindo-se de nós. Paulo na primeira Carta aos Coríntios lembra esse fato quando diz: “Que Deus escolheu aquilo que o mundo despreza, acha humilde e diz que não tem valor” (1 Co 1,29).

E temos uma ilustração desse fato no texto do evangelho de hoje quando Deus chama Filipe e Natanael. Jesus estava a caminho. Movia-se da Judéia para a Galiléia, um território de estrangeiros e não judeus.  E é neste lugar que ele se encontra com Filipe e lhe diz: Segue-me! Jesus não oferece a Filipe uma ideia para refletir, nem uma palavra de ânimo para experimentar ou uma tarefa para executar, mas uma pessoa a quem obedecer e seguir. E seguir implica uma caminhada livre e dinâmica. Sem dúvida, o cristianismo não é um lugar para permanecer, mas uma estrada para se caminhar.

Ai Filipe foi procurar Natanael para convida-lo seguir também Jesus. Mas Natanael se choca com a contradição de que Jesus, identificado como nazareno e filho de José, seja, ao mesmo tempo, o Filho de Deus. E daí a resposta de Natanael a Felipe: “Pode sair alguma coisa boa de Nazaré”.  Ai Felipe lhe fala: “Venha ver!” E Natanael conhecia as Escrituras, e Nazaré não era mencionada como a cidade escolhida de onde sairia o Messias esperado.

Mas, antes de qualquer palavra de Natanael, Jesus o cumprimenta: “Eis um verdadeiro israelita um homem realmente sincero” (v. 47.) E Natanael com admiração pergunta: “De onde o Senhor me conhece? (v. 48.) E ai Jesus aponta: “Antes que Filipe chamasse você já tinha visto você sentado debaixo daquela figueira”. E dessa maneira a comunhão entre Natanael e Jesus está criada. Na expressão “ Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”,  se mostra a grandiosidade e maravilha do ocorrido e do entendimento e aceitação de Natanael de seguir Jesus. Jesus não é mais visto como aquele procedente da insignificante, desconhecida e desprezada Nazaré, mas como a pessoa de quem escreveram Moisés, a lei, e os profetas. Não é mais visto apenas como o filho de José,  o carpinteiro de Nazaré, mas como «o Filho de Deus», um título relacionado, no Antigo Testamento ao Messias esperado.

Assim hoje, como Filipe e Natanael, somos chamados ao seguimento e ao discipulado. E segui-lo não é simplesmente imitá-lo, mas em nosso contexto histórico implantar seus ensinamentos e concretizá-los de forma que contribuam para a construção do reino de Deus.

O projeto de Jesus, a chamada de seus primeiros discípulos, André, Simão Pedro, Filipe e Natanael, assim como sua pregação, tem seu inicio na Galileia das nações, entre os mais maltratados, entre os considerados pecadores em todo o sentido. Galileia das nações, periferia social e geográfica, lugar descartável, de gente descartável, considerada estorvo ao desenvolvimento.  E é lá que devemos ir ver o Senhor, e permanecer e caminhar com Jesus Cristo em seu projeto de salvação e libertação total.

Talvez pudéssemos pensar que Deus não vai nos chamar, porém, ele nos chama todos os dias. E não vai nos chamar para fama e privilégios, mas para ser um colaborador/ra em múltiplas tarefas todos os dias, na casa, no trabalho, na sociedade, em nossa comunidade cristã. E não podemos falar que não somos dignos, ou eu não sei, ou eu não posso, porque todos nós temos recebido dons que não podemos desperdiçar. E tomara que quando escutemos a voz de Deus possamos responder como Samuel: “Fala, Senhor, pois teu servo está escutando”. (1Sm 3,10).

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