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Homilias

Acreditando e confiando no amor


 

Jesus e os fariseus

Acreditando e confiando no amor

20o  Domingo depois de Pentecostes – Ciclo A 

Textos:
1ra leitura: Êxodo 22,21-27
Salmo 1
2da leitura: 1 Tessalonicenses 2,1-8
Evangelho: Mateus 22,34-40

Jesus nos confia hoje seu único mandamento, síntese da Lei e dos Profetas e que se expressa de duas maneiras interdependentes: na comunhão amososa com Deus e na alegria da comunhão fraternas com todas as pessoas.

No evangelho de hoje de novo os fariseus, mestres da lei, e mestres na teologia judaica, tentam colocar Jesus em situação de contradição perante a Lei. Vemos assim no evangelho de hoje que os fariseus e mestres da Lei tentam fazer uma armadilha a Jesus com uma pergunta sobre a Lei. Os fariseus contavam mais de 600 preceitos da Lei, 365 proibições do que não podia ser feito e mais de 200 mandamentos que precisavam ser realizados. E os rabinos afirmavam que todos tinham a mesma importância. Porém, alguns diziam que a observância do sábado era a síntese de toda a Lei.

Porém, conhecer todos os preceitos, proibições e mandamentos significava um grande esforço fora do alcance da maioria do povo. Portanto, era preciso fazer uma sinteses. Seria possível reduzí-los a uns poucos? Existiam os Dez Mandamentos, mas não era suficiente, era necessário ser mais precisos. Assim, perecia que tinha sentido fazer uma pergunta tão decisiva a alguem que parecia que estava demonstrando um saber excepcional.

Mas o povo simples não tinha acesso às informações da religião elitizada cheia de preceitos e mandamentos. Por um lado por não saber ler e, por isso, não conhecer as leis em todos seus detalhes. Por outro lado, por não ter, na luta do dia-a-dia pela sobrevivência, codições de cumprir a lei em todas suas particularidades. Segundo o evangelho de João, os fariseus diziam que “esse povo que não conhece a Lei está amaldiçõado por Deus” (Jo 7,47-49).

Por isso, para os chefes da religião o povo era ignorante, impuro e pecador. E eles esperavam que, questionado sobre a Lei e os mandamentos, Jesus respondesse que todos são igualmente importantes. Mas se Jesus respondia da maneira que queriam as elites religiosas excluía os pobres da prática religiosa. Porém, Jesus vive no meio do povo, não participa da vida das elites que se incomodavam com seus ensinos que promoviam os pobres. É nesse contexto que Jesus é questionado pelos fariseus sobre qual seria o maior mandamento.

Era costume nas celebrações judaicas nas sinagogas recitar o que poderia ser considerado o credo do Antigo Testamento, o chamado “Shemá”: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”. (Dt 6,4ss)

E na resposta aos fariseus Jesus responde unindo esse texto do “Shema” com um texto tomado do livro de Levítico: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo”. (Lv 19,18)

Dessa maneira, na resposta de Jesus se unem dois amores fundamentais: Deus e o próximo. Toda essa serie de preceitos, mandamentos e proibições ficavam resumidos no amor a Deus, como entrega total de si mesmo, e o amor aos irmãos e às irmãs como a si mesmo. E esses dois mandamentos são a expressão da vontade de Deus, e o resumo de toda a Lei e os Profetas. E assim fazendo, Jesus mostra que o segundo mandamento, amar ao próximo, expressa na vida prática as implicações do primeiro, ou seja, amar a Deus.

Na primeira leitura se nos fala dos mandamentos que foram elaborados quando o povo saiu da opressão de faraó no Egito, numa tentativa de organização de vida e convivência de acordo com o projeto de Deus: não oprimas nem maltrates o estrangeiro; não faças mal à viúva nem ao órfão; não sejas usurário ao emprestar algum dinheiro; devolve antes do pôr-do-sol o que tomares como penhor; se algum pobre ou oprimido clamar a Deus contra ti, Deus ouvirá porque é misericordioso.

Todos esses mandamentos mostram uma lei de liberdade e não de opressão que garante a vida para todos, especialmente os mais desprotegidos: migrantes, viúvas, órfãos, endividados, pobres. O Deus de Israel não aceita a opressão e é defensor dos fracos e dos oprimidos.

Portanto, tendo como fundo essa herança bíblica é que Jesus responde aos fariseus, estabelecendo uma íntima relação entre o amor a Deus e o amor ao próximo. Então, o ensinamento é que se a vida limita-se apenas a sentimentos religiosos, doutrinas corretas ou orações, sem implicações concretas, isso de nada vale. O Deus invisível torna-se visível e real no amor ao próximo. Para Jesus a chave da interpretação da Lei e dos Profetas é o amor a Deus e ao próximo, seja este quem for.

A Palavra proclamada hoje é um alerta contra uma religião que separa a relação com Deus da vivência cotidiana e das relações humanas. Nos alerta, pois, para não praticar uma religião intimista e personalista sem compromisso com os irmãos e as irmãs. Jesus deixa claro que não existe um amor a Deus e outro ao próximo. Amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento nos faz amar o próximo com a mesma intensidade.

É na vivência do segundo mandamento, ou seja, amar ao próximo, que se comprova a fidelidade ao primeiro e fundamental mandamento. É de amar que se trata em primeiro lugar, não de usar títulos, nem de realizar cerimônias ou de cumprir regulamentos. Tudo pode ser muito bom, mas o essencial é a comunhão amorosa e fiel com Deus e a atenção permanente a todas as pessoas. São dois momentos de uma mesma atitude amorosa, duas caras duma mesma moeda – Deus e o próximo – é o mesmo amor, vindo da mesma fonte e a ela voltando.

Nosso amor a Deus será uma ilusão se não for uma participação em seu amor e se não manifesta de maneira prática no serviço à humanidade, porque Deus é amor total que se entrega à humanidade. Deus não quer um amor etéreo e volátil. Ele nos garante por meio das atitudes de Jesus, que ser-lhe fiel é sentir com o povo que sofre, ama e espera. É viver como Jesus viveu, entregue ao bem dos mais fracos e excluídos. Ora, como vivemos essa palavra no dia a dia?

Hoje devemos analisar constantemente nossas vidas para ver se nelas domina o ódio, a hipocrisia, o fanatismo, o formalismo, ou um verdadeiro amor a Deus e ao próximo. Os seguidores e as seguidoras de Jesus não podemos nos esquecer da nossa responsabilidade. O nosso mundo precisa de testemunhos vivos que ajudem as futuras gerações a acreditar no amor, porque o ser humano não tem futuro nem esperança se acaba por perder a fé no amor. Assim, vamos pedir a Deus que nos fortaleça e nos dei a graça suficiente para poder amar a Deus e ao próximo, para cumprirmos esse mandamento do amor, no meio de tantos conflitos e tensões em nosso dia-a-dia.

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