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Homilias

“Eu sou a videira, e vocês são os ramos”.


Jesus a videira verdadeira

“Eu sou a videira, e vocês são os ramos”.

6to Domingo de Páscoa – Ciclo A

Textos:
1ra leitura: Isaías 41,17-20
Salmo 148,7-14
2da leitura: 1 João 3,18-24
Evangelho: João 15,1-8

Continuamos a caminhada pelo tempo pascal. Porém, hoje vamos nos mover pela linguagem da agricultura e da botânica. Vamos falar de videira, ramos, frutos. Vamos falar de plantar, de podar, e, lógico, também do agricultor.

E neste domingo de Páscoa Jesus apresenta-se como “a videira verdadeira” cultivada pelo Pai. “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor”. E a videira para os judeus representava o Povo de Israel como Povo de Deus (cf. Is 5,1-7); e para gregos e romanos era considerada a árvore da vida.

E no evangelho de hoje Jesus, retomando a imagem da videira, símbolo de Israel, constitui-se na verdadeira videira. E a través da alegoria da videira, dos ramos e dos frutos Jesus orienta aos discípulos para dar continuidade à sua missão no mundo. Ele é o tronco e nós os ramos unidos a Ele.

Unidos e vivificados pelo tronco, todos os cristãos e as cristãs, os ramos, são chamados a dar fruto. E dar fruto é uma exigência essencial da vida cristã, porque quem não dá fruto não permanece na comunhão: “Todo ramo que não dá fruto em mim, o Pai o corta”. Mas a comunhão com Jesus é fundamental para dar fruto: “Sem Mim não podeis fazer nada”. Deste modo, a comunhão com os outros é o fruto mais lindo que as vides podem produzir. E esses outros não são somente os da família da fé, senão qualquer um que precisar de nós.

Um ramo não tem vida independente. Sua vitalidade depende da seiva que recebe do tronco produzindo folhas, flores e frutos. Não é o tronco que produz tudo, mas o ramo. Porém, o ramo somente produz na medida em que fica vinculado ao tronco e dele recebe a seiva. E o ramo que não dá fruto é quem pertence à comunidade, mas não responde ao Espírito; ouve a Palavra, mas não assimila o dinamismo de Jesus; tem um discurso bonito sobre o amor, a missão e a vida em comunidade, mas as obras o desmentem.

Mas alguém poderia se perguntar: o que torna um ramo seco? Pois um ramo torna-se seco e estéril quando no responde ao dinamismo da vida do tronco, ou seja, neste caso do Cristo ressuscitado. E não produz fruto quem anda pelos caminhos do egoísmo, do ódio, da injustiça e do desrespeito à dignidade do outro; quem se fecha em esquemas de autossuficiência e comodismo. A seiva do dinamismo de Jesus seca quando alguém age simplesmente em vista de aplausos e bem-estar pessoal.

João, em sua primeira carta apresenta uma espécie de síntese da vida cristã autêntica. Segundo a Primeira Carta de João, a prática do mandamento do amor vai além de sentimentos e afetos. O mandamento do amor se concretiza em ações que promovem a vida e a felicidade dos irmãos e das irmãs. Mais do que belas palavras, são as ações concretas em favor do próximo o que dá credibilidade à vivência cristã e testemunham o plano salvador de Deus. E quem encaminha sua vida na vivência do amor é liberto de todas as dúvidas e inquietações e tem a garantia de estar no caminho da verdade. Pois quem cumpre os mandamentos de Jesus, no dia-a-dia, na prática do amor solidário prático e eficaz, está com Deus e Deus está com ele.

E é lamentável que a fórmula da Primeira Carta de João: “Amem uns aos outros”, tenha-se desvirtuado ao longo dos séculos, adquirindo hoje um gosto açucarado. O amor como fruto principal na literatura joanina é um principio ativo e prático. O fruto do amor é o critério único pelo qual se avalia a produção de um ramo. E quando esse fruto não é produzido, o galho é lançado fora. Mas evidentemente não cabe à comunidade fazer o julgamento. Quem produz a poda é Deus.[1]

A comunidade cristã, expressão do novo Povo de Deus, é o lugar privilegiado do encontro com Jesus ressuscitado, a videira verdadeira, da qual somos os ramos, cultivados por Deus, a fim de que, no dinamismo do Espírito, produzamos abundantes frutos; frutos de uma sociedade mais justa e fraterna, que garanta a paz e a segurança e a vida plena e abundante para todas as pessoas.

Estar em comunhão com Jesus dá sentido a nossas vidas, pois sem Ele nada podemos fazer. Enquanto estivermos unidos a Jesus, ao tronco, receberemos dele a seiva que vem de Deus, e teremos vida plena e amor. E unidos a Jesus na prática do amor, com certeza poderemos transformar nossa comunidade e nossas famílias para termos uma sociedade sem violência, sem corrupção, sem injustiça, onde predomine o amor e a valorização da vida de todas as pessoas.

[1] Carlos Eduardo Calvani, 6to Domingo da Páscoa, em: “Pão da Vida – Comentários ao Lecionário Anglicano”, Ano A, Porto Alegre, 2007.

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