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Homilias

Venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente


“Venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente”.

Jesus chama seus discípulos
 

3ro Domingo depois da Epifania – Ciclo A

Textos:
1ra leitura: Isaías 9,1-3
Salmo 27
2da leitura: 1 Coríntios 1,10-13.17
Evangelho: Mateus 4,12-23

Depois do retiro e tentação no deserto, e depois de conhecer que João Batista tinha sido preso, Jesus foi para a Galiléia, porém não foi para Nazaré, sua terra natal e de sua família, mas foi morar na região de Cafarnaum, na beira do lago da Galiéia.

E vamos começar com uma pequena aula de historia e geografia. Na época do profeta Isaías, por volta de 732 aC. o povo da Galiéia estava aterrorizado pelas deportações do império assírio. Porque a política de dominação dos assírios consistia em deportar o povo dominado misturando em uma mesma região povos de diferentes culturas, idiomas e religiões. E será essa forma de dominação dos assírios a que tornará a Galiléia em uma região tida como pagã, impura e desprezível pelos judeus.

Mas será precisamente na Galiléia, terra desprezada e considerada pagã, o cenário onde Jesus inaugura seu ministério proclamando solenemente: “Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino de Deus está perto”. E junto a doentes e sofredores, os mais pobres entre os pobres, Jesus anuncia a chegada do Reino de Deus, chama seus primeiros discípulos e cura as enfermidades do povo.

E o evangelista Mateus interpreta o sucedido como o cumprimento da profecia de Isaías proclamada no Natal, e que é retomada na primeira leitura de hoje: “O povo que andava na escuridão viu uma forte luz; a luz brilhou sobre os que viviam nas trevas” (Is 9,2).

Por outro lado, o Salmo 27 recitado hoje é uma oração de confiança em Deus. Porque ainda que apareçam novas dificuldades, sempre poderemos contar e sentir a presença e ajuda de Deus. E a única coisa que o salmista pede é esperar confiadamente sempre no Senhor.

Já no trecho da Primeira Carta aos Coríntios se fala também de seguimento, mas não de Paulo, ou de Apolo o de Pedro, mas de Jesus crucificado e ressuscitado e de sua proposta de vida. Porque não pode haver discórdia na comunidade dos seguidores de Cristo pela preferência por este ou aquele pregador, ministro ou sacerdote. O centro sempre será Jesus Cristo, quem não está dividido e cuja luz é mais forte que as trevas e todas as divisões humanas.

E Jesus, começando seu ministério e iniciando sua missão entre as pessoas mais desprezadas, aqueles considerados pecadores e impuros, deixa claro que a luz que resplandeceu no Natal é para todos, e não apenas para os puros, os eleitos e os melhores. Muito pelo contrário, a prioridade de Jesus é para os que são considerados e tidos como menores, pequenos, insignificantes e descartáveis. E precisamente esta opção é a chave da espiritualidade cristã do seguimento de Jesus. Seguir Jesus é estar a favor de quem se encontra na periferia do mundo e da sociedade.

Mas Jesus não quer estar sozinho nessa tarefa. E nessa região, à beira do mar, que na tradição bíblica e judaica, é o lugar dos demônios, e sinônimo do mal, da escuridão, do caótico e das forças contrárias à vida e à felicidade, são escolhidos os primeiros quatro discípulos. E chama para ajudá-lo a Pedro, André, Tiago e João, pescadores habituados a um trabalho cheio de hostilidade e nada vantajoso. E com eles inicia uma comunidade de discípulos, na qual se torna viável o caminho da conversão que eles devem indicar para os outros. Uma comunidade que vai acompanhar Jesus até a sua morte. Uma comunidade que aprende com Ele o jeito de ensinar e realizar as curas, ou seja, restaurar as pessoas tanto no físico como no espiritual, na saúde material e na saúde espiritual. Comunidade, instrumento de Deus, na qual o povo das trevas torna-se o povo da luz.

E nesta prática de Jesus, temos dois ensinamentos básicos: primeiro, “deixar as redes” e ser “pescadores de homens”, ou seja, ser colaboradores de Jesus na libertação da humanidade de tudo o que não leva à vida; segundo, aprender a viver em comunidade; porque o anuncio do Reino supõe a vivência do discipulado numa comunidade concreta. Entretanto, a comunidade dos discípulos não é uma comunidade com um fim em si mesma, mas está em permanente serviço do Reino.

Portanto, o evangelho de hoje nos chama, como foram Pedro, André, Tiago e João, a sermos discípulos missionários de Cristo. Porque esses primeiros quatro discípulos representam os discípulos e as discípulas de todos os tempos e de todos os lugares. E nesta tarefa devemos estar cientes que nunca estamos totalmente preparados ou prontos. Somos um povo que segue o caminho de Jesus, e seu projeto de vida, que se constrói a cada dia.

Reconhecer Jesus como luz do mundo, salvador e libertador significa acolher sua proposta e caminhar junto com Ele na construção do Reino de Deus, reino da liberdade e vida abundante para todas as pessoas. Também significa renunciar a tudo aquilo que impede a realização do projeto de paz e justiça para todas as pessoas. E a realização desse projeto significa a valorização de todos os seres humanos, o diálogo paciente e a superação de tudo o que impede a vida abundante.

O projeto de Jesus teve seu inicio na Galiéia, entre os maltratados, e considerados pecadores, entre os pobres em todo o sentido. É lá, a nossa Galiéia de hoje, que devemos ir encontrar Jesus e permanecer com Ele em seu projeto de salvação e libertação integral. Como Pedro, André, Tiago e João, nós hoje recebemos o convite de entrar na missão de Jesus para anunciar o evangelho e curar todo tipo de doença e enfermidade.

E se Mateus resume a mensagem de Jesus dizendo que Ele veio para proclamar e anunciar “a Boa Notícia do Reino de Deus”, também nos enfrenta com nossa responsabilidade para não desentendermos nem esquecer os outros. E talvez não vamos poder fazer grandes coisas, mas sabemos que temos a responsabilidade de contribuir para fazer a vida mais digna e feliz para todas as pessoas, particularmente os mais necessitados e indefensos.

E é muito bom acreditar e encontrarmos com um Deus que nos pergunta dia a dia o que faço pelos meus irmãos e pelas minhas irmãs. E também é muito bom encontrarmos com um Deus que nos ajuda a ver que o mal, a injustiça e a morte não têm a última palavra, porque um dia o que aqui não pôde ser, o que ficou a meias, os nossos anseios maiores e os nossos desejos mais íntimos alcançarão em Deus a sua plenitude.

Reunidos hoje no Senhor celebremos com todas as pessoas que se dedicam ao serviço da libertação e à promoção de pobres, doentes e abandonados, onde Jesus está escondido e presente (Mt 25,31-46), os quais nos ajudam a ver e compreender o Reino que Jesus veio anunciar e concretizar.

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