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Homilias

Jesus Cristo Rei do Universo


Jesus Cristo Rei do Universo

Cristo-Redentor - 1 -

Braços abertos para o mundo

 Último Domingo depois do Pentecostes – Ciclo C

Textos
1ra leitura: 2Sm 5,1-3
Salmo 23
2da leitura: Colossenses 1,11-20
Evangelho: Mateus 25,31-46

A celebração de hoje marca um ponto de chegada do ano litúrgico. Em breve estaremos no primeiro domingo de Advento. Durante todo o ano, a través das leituras e a liturgia, celebramos os mistérios da vida de Jesus Cristo, desde seu nascimento até sua morte e ressurreição, passando pela festividade de Pentecostes e outros tantos mistérios e ensinos da sua vida. Em fim, celebramos nossa caminhada com Deus.

E no fim da caminhada do ano litúrgico geralmente as leituras afunilam para um ponto bem definido: o Reino de Deus. Assim, este último domingo do ano litúrgico nos apresenta Jesus Cristo como Rei do Universo. É esse Reino, ponto de chegada da historia da humanidade, que nos anuncia as leituras deste domingo.

Na primeira leitura tomada do segundo livro de Samuel é narrado em apenas três versos um dos acontecimentos fundantes da historia de Israel: Davi é ungido rei de Israel e aceito e reconhecido como tal por todas as tribos de Israel.

E nas palavras que Deus fala para Davi se destacam dois termos: “apascentar” e “meu povo”. Dessa maneira o estilo do reinado que Deus pede a Davi é o pastoreio. Portanto, ser rei é apascentar guiar e cuidar do povo. O segundo elemento que se afirma no texto é que o rei não é o dono nem melhor que o povo, porém um instrumento, um servo de Deus que tem a missão de guiar esse povo.

No entanto, o que tem a ver essa leitura com a celebração de Jesus Cristo como Rei do Universo? Pois a sintonia encontra-se em que segundo a tradição judaica o futuro descendente de Davi, o Messias esperado, também será ungido e estabelecerá uma aliança eterna com a humanidade. E já, segundo a tradição evangélica, esse descendente de Davi que também será ungido e estabelecerá uma aliança com a humanidade é Jesus Cristo.

No belo e profundo Salmo 23 que recitamos hoje, o salmista vê em Deus o pastor que nos leva a descansar em verdes prados, nos conduz para águas refrescantes, guia-nos por caminhos retos e nos protege de todos os males. E, sem dúvida, cada palavra do Salmo 23 encontrou em Jesus pleno e verdadeiro cumprimento.

Por outro lado, na leitura da carta aos Colossenses se resume a obra liberadora e salvadora de Jesus Cristo em três pontos: em Jesus Cristo Deus nos levou a participar da herança que tinha preparado para seu povo, também que Nele nos recebeu no Reino e, finalmente, que nos concedeu o perdão pela cruz de Cristo.

E o evangelho de hoje é uma descrição profética e simbólica do juízo final. É realmente uma parábola que conclui o que poderia ser chamado «o testamento de Jesus», que começa no capítulo 14 do evangelho de Mateus.

Nesta parábola, Jesus, através da metáfora do «Filho do Homem» aparece em toda sua gloria, como Rei, para julgar todos os povos e confirmar seu modo de viver conforme a misericórdia praticada com os excluídos, os pobres, os necessitados, os marginalizados, os discriminados. Mas cuidado, Ele é um Rei diferente: é o Rei da paz, do amor, e da justiça.

Neste evangelho Jesus se apresenta também como Pastor que separará as ovelhas dos cabritos e diz: “Venham vocês que são abençoados pelo Pai! Venham e recebam o Reino que meu Pai preparou para vocês! Pois eu estava com fome […] com sede, era estrangeiro, estava nu, doente, preso […] e vocês cuidaram de mim[…] e quando vocês fizeram isso ao mais humilde de meus irmãos, foi a mim que fizeram”.

Dessa maneira, nesta parábola Jesus se identifica com cada necessitado e lhe chama seu irmão e sua irmã. Mas faço a ressalva que na parábola não há diferenças entre crentes e não crentes. Todos serão julgados pela fidelidade à verdade, à justiça e à misericórdia. E se fossemos levar isso a nossa realidade de hoje poderíamos dizer que o critério não seria se somos cristãos o não, mas seriamos julgados pela pratica da justiça, do amor e da misericórdia. Porque para Deus a lei maior é a lei do amor ao próximo.

Mas muitas vezes o texto de hoje, no qual Jesus usa o exemplo do pastor que separa às ovelhas dos cabritos, tem sido interpretado um tanto de maneira errada. Gostaria comentar que o pastor da Palestina não separava estes animais porque uns fossem melhores ou mais valiosos que os outros, mas porque os cabritos necessitavam durante a noite proteção do frio, enquanto as ovelhas, com sua lã, podiam aguentar melhor a intempérie da noite. E uma ovelha adulta podia fornecer a uma família judaica de quase todo o necessário para viver. A confusão desta passagem aumenta, quando o escritor põe em boca de Jesus os destinos finais do céu e do fogo eterno.

No entanto, temos que aprofundar o simbolismo do texto Um aspecto interessante a considerar é o fato de que Jesus não menciona grandes pecados, trata-se mais bem de obras de omissão, ou seja, «o que não foi feito»: “Estava com fome e não me deram comida, estava com sede e não me deram água, era estrangeiro, e não me receberam na sua casa, estava sem roupa, e não me vestiram; estava  doente e na cadeia, e não me visitaram nem cuidaram de mim”. Ou seja, a Deus não lhe preocupam tanto os nossos pecados quanto ver como nos ajudamos uns a outros e colaboramos para melhorar a situação social do mundo presente. Também é interessante observar no texto como muitos, sem sabê-lo ou sem dar-se conta, estiveram do lado de Deus.

E esse «Filho do Homem» da parábola do evangelho de hoje é Jesus, o novo Pastor-Rei, que fala de obras de misericórdia: dar de comer aos famintos, dar de beber aos que têm sede, acolher o estrangeiro, vestir aos nus, visitar os doentes, acrescentando a visita aos prisioneiros. De maneira que quem não praticou ou pratica essas obras perdeu ou perde a oportunidade de fazer isso ao próprio Jesus presente nos necessitados. E se Ele está nos irmãos e irmãs necessitadas e também nos fracos, Ele está no meio de nós em todos os lugares e momentos. Porque de acordo ao texto da parábola Jesus está oculto nos pequeninos, nos humilhados e necessitados.

Por isso, esse reino de que fala a parábola é um reino não de poder, mas sim de serviço. O próprio evangelista Mateus diz que: “O Filho de Homem não veio para ser servido, ele veio para servir” (Mt 20, 28). E o serviço é o critério do julgamento de acordo à parábola. Entrar no Reino supõe que os discípulos tenham seguido os passos do Pastor, do Mestre, a serviço de todos, especialmente dos mais necessitados.

Conta-se que Martín de Tours um soldado romano que chegou a ser Bispo de Tours na França, lá pelo ano 397, sendo ainda soldado romano e, portanto, um não cristão, ao entrar em uma cidade um dia de inverno, um pobre mendigo lhe pediu uma esmola. Martín não tinha dinheiro, mas o pobre mendigo estava tiritando de frio. Martín se tirou a capa, cortou-a em dois pedaços e lhe deu a metade para que se protegesse do frio. Conta-se que aquela noite Martín sonhou, e se viu rodeado de anjos, e viu Jesus vestido com a metade de uma capa romana.

E essa historia ilustra o fato de que hoje e sempre podemos encontra Jesus Cristo, o Pastor-Rei, escondido entre os pequenos, pobres e fracos, sejam eles cristãos ou não. E também que todos os dias experimentamos antecipadamente o Reino que seu amor misericordioso nos preparou, Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, Reino do amor e da paz.

Dessa maneira, o evangelho de hoje nos leva a buscar nossa verdadeira identidade e nossa própria justificação e salvação na vivência da misericórdia para com todas as pessoas, particularmente com os mais fracos, com os empobrecidos, os excluídos e os marginalizados. De acordo à parábola eles são sacramento de Deus, neles Deus está escondido. Por isso o amor concreto para com eles e elas será o critério do julgamento final.

Como cristãos acreditamos que em Jesus Cristo Deus se fez historia, se fez humanidade. Mas às vezes, mesmo confessando com nossos lábios esse fato, não reconhecemos na pratica a Jesus caminhante em nosso dia-a-dia.

Tenhamos cuidado, irmãos e irmãs, Jesus pode estar entre nós, e podemos não reconhecê-lo, pode estar entre nós e estar sendo desprezado ou esquecido por nós. E Jesus Cristo nosso Pastor-Rei decidirá se lhe servimos bem, cada vez que ajudamos e servimos a um de nossos irmãos mais fracos e necessitados.

Abramos hoje nosso coração a Jesus, e digamos-lhe que estamos dispostos a que reine em nós e que nos faça mansos de espírito para entender a dinâmica de seu reinado. Celebrar Jesus Cristo como Rei é, portanto, pedir que chegue à plenitude o reino da verdade e da vida, o reino da justiça do amor e da paz. E esse é o Reino que pedimos quando oramos: Venha teu Reino Senhor!

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