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Homilias

A porta estreita


A porta estreita
 

A porta estreita

14toDomingo depois de Pentecostes – Ciclo C

Textos:
1ra leitura: Isaías 66,18-21
Salmo 117
2da leitura: Hebreus 12,18-19.22-29
Evangelho: Lucas 13,22-30

No evangelho de Lucas, a longa e definitiva caminhada de Jesus rumo a Jerusalém continua.  Nessa viagem Jesus atravessa povoados e cidades. De repente, em um desses povoados alguém pergunta sobre o número dos que serão salvos (v.23). E poderia se pensar que se trata de uma inquietação religiosa e normal. Porém, pela resposta que Jesus dá (v. 24-30), ao que parece não se pergunta pelo sentido da vida, mas a pergunta parece esconder uma preocupação sectária, porque se origina em um grupo de pessoas que se achavam os perfeitos e os puros. Trata-se de pessoas que teriam o maior prazer de escutar de Jesus uma confirmação de que eles eram de fato os bons, os perfeitos e os puros. Eles apenas se preocupavam com detalhes que eram completamente irrelevantes para Jesus, ou seja, a questão do número dos eleitos e escolhidos.

No entanto, Jesus dando-se conta da maldade da pergunta surpreende com sua resposta: “Façam tudo para entrar pela porta estreita. Pois… muitos vão querer entrar, mas não poderão” (v.24). Ou seja, aproveitem e entrem “pela porta estreita” enquanto têm tempo, porque depois vai ser tarde demais; porque se achando bons, puros e perfeitos, ao ponto que pretenderem excluir a outros, vocês vão ter muita dificuldade para entrar no reino, ou talvez nem consigam entrar.

No texto a imagem da “porta estreita” é fundamental para entender o sentido da mensagem que o texto quer transmitir. A “porta estreita” se abrirá apenas se quem quer entrar consentiu em abrir as portas aos demais, seja lá quem for. Por isso, Jesus conclui de forma profética: “Muitos virão do Leste e do Oeste, do Norte e do Sul e vão sentar-se à mesa do Reino de Deus. E os que agora são os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (v.29).

Então a mensagem central do texto parece ser que o reino, que primeiramente foi anunciado aos judeus, agora se abre definitivamente e completamente a todas as pessoas. Por isso, quando o texto fala de oriente e ocidente, norte e sul, não se trata apenas umas referências geográficas, mas é um símbolo para falar de todas as categorias de pessoas, de todas as classes, etnias e condições sociais.

E esta mensagem universalista e inclusiva do reino já foi primeiramente anunciada pelo profeta Isaías após o exilio quando, como vimos na primeira leitura, afirmou: “Eu virei para juntar todas as nações, e todos os povos. Eles virão e verão o brilho da minha gloria” (Is 66,18b). Por isso também com o Salmo 117 hoje proclamamos: “Louvem a Deus, o Senhor, todas as nações! Que todos os povos o louvem!”.

Agora, trazendo e atualizando o texto a nosso presente, podemos dizer que hoje, como ontem, muitos vivem com essa pergunta do número dos que serão salvos na cabeça. Mas Jesus hoje nos alerta que a salvação é para todas as pessoas, e apenas não é para aquelas pessoas que se fecham em seu egoísmo, em seus privilégios e na sua autossuficiência.

Hoje existem muitos cristãos e cristãs que se acham seguros quando fazem formalmente tudo o que foi prescrito, porém, não assumem com o coração e na suas vidas aquilo que Jesus deseja que façam, particularmente o permanente amor pelo próximo. E aqueles e aquelas que apenas servem a Deus com os lábios e não com o coração certamente não serão reconhecidos pelo Senhor.

Então irmãos e irmãs a questão não é se poucos o muitos vão ser salvos. Deus não fez uma lista predeterminada e fechou o número dos salvos e escolhidos. A questão é se realmente estamos dispostos a entrar pela “porta estreita” do compromisso com aqueles e aquelas que sempre foram relegados, excluídos e discriminados. A questão é se realmente abrimos as portas de nossos corações para que a “porta estreita” se torne ampla para nós e também para todos.

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