//
você está lendo...
Anglicanismo - português, Artigos recentes, Missão - português

“… até os lugares mais distantes da terra”.


“… até os lugares mais distantes da terra”.

Biblia e vela

Uma breve reflexão sobre o nosso sentido de missão.[1]

Por Rev. Dr. Pedro Julio Triana Fernández
Coordenador de Formação Permanente e de Assessorias
e da Área II (DASP/DARJ/DAC)
do Centro de Estudos Anglicanos (CEA)
 
 

Em seu discurso de despedida, e reunido com seus discípulos, Jesus lhes faz um apelo e lhes lança um desafio: “… serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os lugares mais distantes da terra” (At 1,8).

E em sintonia com a tradição bíblica, a visão teológica anglicana afirma que a missão da Igreja é a missão do próprio Deus (cf. Êx 3,7ss), sendo Jesus Cristo princípio e modelo da missão (cf. Jo 20,21-22).[2] Desta maneira, a Igreja só compartilha a própria missão de Deus; é a comunidade que é enviada em missão ao mundo em nome de Deus, a proclamar a “boa notícia”, ou seja, evangelizar[3]. E como colaboradores de Deus, a missão nos compromete para participarmos, como membros do corpo de Cristo, e como Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, no desafio de cumprir nossa parte na missão confiada a todo o povo de Deus.

Entretanto, como entender, nossa missão como a comunidade de Jesus, o Galileu, em nosso contexto brasileiro? Sem querer dar receitas, e apenas para provocar a reflexão, gostaria partilhar algumas breves ideias:

Sendo a primeira tarefa da Igreja evangelizar, ou seja, “proclamar boas notícias aos empobrecidos” (cf. Lc 4,16-ss), evangelizar em nosso contexto significa, denunciar tudo o que faz com que as pessoas não possam receber “boas notícias”; significa proclamar que a vida plena é realmente possível pela força que Deus nos dá, e que se manifesta na capacidade humana de mudar a vida coletivamente, de resistir as dificuldades e sobreviver; significa ser sinal profético de liberação, de vida e de esperança para com todas as pessoas; significa, portanto, denunciar todas as forças, sejam sociais, econômicas, políticas e ainda eclesiásticas, que promovem morte.

No entanto, a missão de evangelizar se concretiza na koinonia -unidade, comunidade, comunhão- com todos e todas na reconstrução do corpo fragmentado de Cristo, que é a humanidade injustiçada, afirmando a diakonia (cf. Mc 9,35; 10,45; At 6,4; 20,24; 21,19), ou seja, o serviço solidário, como o caminho da Igreja na sua tarefa missionária; porque a koinonia não tem sentido sem a diakonia. A base da vida comunitária é a solidariedade. Somente através da solidariedade inter-humana, solidariedade que deve transcender as próprias fronteiras da Igreja, vamos nos reconhecer uns aos outros como irmãos e irmãs e seremos capazes de “conhecer a Deus” (cf. Os  2,19-20).

Por isso, nossa missão diakonal tem que arriscar o encontro e o diálogo criativo com o contexto concreto onde Deus nos colocou para compartilhar sua missão, inserindo-nos nele para transformá-lo e mudá-lo, antecipando cada vez mais o Reino de Deus na história. E esta visão missionária trará como consequência que reinterpretemos as palavras de Jesus “que todos sejam um” (Jo 17,21) no seu verdadeiro sentido mundo-céntrico, humano-céntrico e cosmo-céntrico.

Mas, também, essa nova visão missionária deverá ter um caráter amplamente inclusivo, onde reconheçamos, respeitemos e aceitemos a voz e a participação de grupos de diversas idades – idosos/jovens/crianças -, ideologias, orientações sexuais, capacidades físicas, de mulheres, de religiões indígenas e afro-brasileiras[4], sem criar relações de dominação, discriminação e exclusão.

Finalmente, e em nosso empenho por ser uma comunidade missionária relevante e pertinente para nosso presente, devemos viver e praticar uma espiritualidade integral, que compreenda todas as dimensões do ser humano. Uma espiritualidade onde o corpo, a sexualidade, a fantasia, a musica, a diversão, o trabalho, assim como a luta pela vida, pelos direitos humanos e pela preservação de nosso habitat, não sejam compreendidos como opostos e diferentes a oração, adoração, contemplação, mística, e reflexão interior.


[1] Texto também publicado em Comunidade Bom Pastor – Vitória – ES em: http:/www.anglicana-es.org/

[2] www.dm.ieab.org.br/recursos/missao/cinco marcas da missão.

[3] Veja Conferencia de Lambeth 1988, Resolução 43

[4] Veja Leonardo Boff, Ciência e Espiritualidade, ADITAL (www.adital.com.br), 10/10/07 e Marcelo Barros, Uma espiritualidade nova para um novo tempo, ADITAL (www.adital.com.br), 05/12/06.

Discussão

2 comentários sobre ““… até os lugares mais distantes da terra”.

  1. great review here anyway thanks for posting a valuable one again… bbom bbom bbom bbom bbom

    Publicado por bbom | 5 de junho de 2013, 6:29 pm

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: