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Homilias

“Deixo com vocês a minha paz!”


“Deixo com vocês a minha paz!”

 comunidade - fonte, João 14,23-29  www.marysouthardart.org

6to Domingo da Páscoa – Ciclo C

Textos:
1ra leitura: Atos 14,8-18
Salmo 67
2da leitura: Apocalipse 21,10-14.22-23
Evangelho: João 14,23-29

O evangelho deste domingo forma parte do longo discurso de despedida de Jesus antes de sua paixão; discurso que vai desde o capítulo 13 até o capitulo 17 do evangelho de João.

E o eixo central da liturgia deste 6to Domingo da Páscoa é a promessa que Jesus faz aos discípulos de sua presença permanente, para animar-lhes e acompanhar-lhes na caminhada. Também Jesus diz a seus discípulos como deverão manter-se em comunhão com ele, ficando atentos na caminhada às três dimensões da vida comunitária: fé, testemunho e missão, alimentados pelo amor a Deus e ao próximo; porque Deus se faz presente na sua comunidade de discípulos e discípulas através do amor. É por meio e através do amor que Deus se manifesta ao mundo. E quando falamos do caminho de Jesus falamos de uma vida dedicada ao serviço de todas as pessoas de maneira total e radical. E os discípulos são convidados a percorrer esse mesmo caminho com Jesus.

O capítulo 14 apresenta os discípulos tristes, aflitos e acobardados (cf. vv.1.27). Sabem que estão vivendo os últimos momentos com seu Mestre. Talvez pelos seus pensamentos passem algumas perguntas: Que sucederá quando lhes falte? A quem acudirão? Quem os defenderá? Porém, Jesus quer infundir-lhes ânimo e transmitir-lhes seus últimos desejos; por isso, apesar da tristeza dos discípulos, a despedida está marcada pela esperança e pelas recomendações para a continuidade da missão.

Na primeira parte do evangelho de hoje (vv. 23-25) Jesus indica o caminho que conduz a Deus e fala da comunhão dele com sua comunidade, assim como da continuidade da missão. E continuar a missão significa viver e testemunhar as palavras e ações de Jesus; significa que cada discípulo e discípula se tornem um, como Jesus e Deus são um; se tornem morada e templo de Deus, na intimidade de uma nova família.

Espirito SantoE diante de tão desafiadora missão, na segunda parte do discurso (v.26), Jesus faz a promessa de enviar o Espírito Santo, como aquele que vai acompanhar e “ensinará todas as coisas” e fará com que a comunidade de discípulos e discípulas lembre sempre tudo o que ele disse e fez. No entanto, se bem o termo “ensinar” poderia significar interpretar corretamente as Escrituras, significa, acima de tudo, atualizá-las para o tempo presente e para todos os tempos presentes. Trata-se, portanto, de uma presença dinâmica, que auxiliará à comunidade de discípulos trazendo-lhes continuamente à memória os ensinamentos de Jesus e ajudando-os a ler as propostas de Jesus à luz dos novos desafios que o mundo possa lhes colocar.

Desta maneira, pela presença permanente do seu Espírito, Jesus continua agindo hoje no meio de nós, fazendo-nos entender e testemunhar seu projeto. E como comunidade somos chamados hoje a construir nosso caminho guiados pelo Espírito de Deus. É ele quem nos ajuda e acompanha para continuar a missão na construção do Reino.

Entretanto, o Reino de Deus é um Reino de paz. Por isso, a última parte do evangelho (vv. 27-29) contém a promessa da «paz». E já PAZ[1]falamos em outras ocasiões que desejar a «paz» (shalom) era a saudação habitual à chegada e à partida entre os judeus. No entanto, neste contexto, a saudação não é uma despedida comum.

Também o evangelho não está falando aqui da paz, como tranquilidade ou da ausência de conflitos. Porque a paz não significa viver em um lar sem barulho, sem brigas, sem filhos rebeldes, sem telefones tocando ou sem nenhum problema. A verdadeira paz é aquela que vem de Deus e chega até nós apesar das circunstâncias. Porque inclusive quando nos encontramos no meio de uma grande tempestade, podemos sentir a paz que vem de Deus. Por isso, e é a novidade do evangelho de hoje, Jesus não deseja apenas a paz, ele doa a sua paz: “É a minha paz que eu lhes dou, não lhes dou a paz como o mundo a dá”.

Portanto, uma paz verdadeira e perfeita é a que brota da luta e da procura da justiça; paz muitas vezes marcada pelo sofrimento e a dor, porém, que nos conduz à transformação de nosso mundo em um mundo mais justo e melhor, em conformidade com o projeto do Reino de Deus. Porque Deus não nos quer de mãos amarradas e conformados com as estruturas, muitas vezes injustas, do mundo de hoje. Por isso, nos envia o seu Espírito para nos fortalecer e animar nesta caminhada.

Então, vamos pedir hoje a Deus a paz que nos é tão necessária como a água e o fogo, e a terra e o ar. A paz que é perdão que nos liberta da raiva, da ira e da inveja. A paz que é liberdade, a vida sempre aberta na casa, na família, na fábrica, na escola e na rua. A paz que é o pão amassado cada dia, que se parte na mesa com júbilo e com fome. A paz que é a flor de teu reino que esperamos e que tornamos mais belo e próximo dada dia. Nós te pedimos a paz, porque somos irmãos e irmãs e tu és nosso Pai[1].

Mas vamos pedir, também, nas palavras de São Francisco de Assis, que Deus faça de cada um de nós um instrumento de sua paz!

 

Paz 2Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna…


[1] Oração tomada e adaptada de Cassiano Floristán. Celebrações da comunidade, São Paulo, Edições Loyola, 2002, p.373.

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