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Homilias

Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia!


Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia!

Domingo de Ramos

Domingo de Ramos – Ciclo C

1ra leitura: Isaías 50,4-7
Salmo: 22,1-21
2da leitura: Filipenses 2,5-11
Evangelho: Mateus 21,1-11

Chegamos finalmente a Jerusalém. O cenário principal em que acontece nossa Páscoa. E acabamos de escutar a palavra de Deus descrevendo a chegada de Jesus em Jerusalém. Até chegar a Jerusalém Jesus tinha feito uma longa caminhada. Durante três anos tinha percorrido a Judeia e a Galileia como missionário de Deus, anunciando o projeto de Deus. Porém, muitos fatores e circunstancias levantaram a inimizade, a inveja e o ódio das lideranças políticas e religiosas do povo judeu. Sua mensagem de amor, de serviço e de pobreza, sua boa nova de salvação aos pobres, sua denuncia profética da religião ritualista, legalista e vazia do Templo, suas discussões com os escribas e fariseus, foram preparando o desenlace final. Desta maneira seus inimigos, conseguiram legitimar sua condenação à morte, pressionando Pilatos, e com a anuência de grande parte do povo e das lideranças religiosas.

Assim, hoje, domingo de Ramos, lembramos a entrada de Jesus em Jerusalém. E Jesus chega em Jerusalém quando a cidade quando a cidade se preparava para a celebração de sua grande festa: a Páscoa. Por isso a cidade estava cheia de peregrinos.

A entrada de Jesus em Jerusalém é narrada em todos os evangelhos sinóticos. E não há muita diferença entre os três relatos. Quando ele estava chegando perto de Jerusalém mandou a seus discípulos providenciar uma montaria. Conseguiram para ele um jumentinho. Jesus montou no animal e foi chegando. Ao descer por um dos morros que dá para Jerusalém, chamado de monte das Oliveiras, uma multidão de pessoas, aos gritos e cheios de alegria, começou a louvar a Deus.

Narra o evangelho que o povo arrancava galhos e ramagem de árvores para enfeitar o caminho por onde Jesus passava. E com galhos e palmas nas mãos acolheram Jesus e lhe acompanharam para dentro de Jerusalém como o Messias esperado, como o rei enviado por Deus, capaz de libertar o povo da escravidão política, econômica e religiosa; por isso chamamos este domingo de “Domingo de Ramos”.

Então, Jesus também entra na cidade santa no meio de uma situação social, política e econômica difícil para o povo judeu, subjugado pelo império romano, que governava ao mundo com toda sua força, riqueza e pretensões. Havia boatos de revoltas, e o povo clamava por um segundo Davi, um Messias, que os libertasse da opressão de Roma.

E Davi, o segundo rei de Israel, foi um simples pastor do pequeno povoado de Belém, que chegou a ser chefe de seu povo porque Deus o tinha escolhido (cf. 1S 16,11-13). Mas posteriormente esse camponês esqueceu sua origem humilde e se fez um rei, cheio de poder e de riqueza, como os reis dos povos vizinhos de Israel (cf. 2S 12).

A muitos reis, especialmente a Davi e a seus sucessores, se lhes deu o título de Messias, ou seja, “salvador”, “restaurador” ou “libertador”. Por isso muitas pessoas na época de Jesus pensavam que o Messias seria outro Davi. E daí nasce a idéia do Messias Rei com suas funções monárquicas e militares. E na época de Jesus essa era a idéia de Messias que tinha a maioria da população.

Entretanto, para outros, e certamente uma minoria, a idéia de Messias tomava a forma do Servo de Yahvé, como nos fala a leitura do Segundo Isaías (Is 40-55) que foi lida hoje como primeira leitura. Dessa maneira, é o Segundo Isaias quem anuncia a chegada de um Messias de Deus diferente. Esta vez entendido como servo e não como rei.

E será precisamente esse projeto o qual Jesus vai abraçar. Projeto que é muito bem apresentado e simbolizado no texto que narra sua entrada em Jerusalém. No texto Jesus se apresenta como rei, mas como um rei diferente àquele esperado por quase todo o povo. Não entra em Jerusalém montado em um cavalo, como era esperado de um rei. Entra em um jumento, símbolo de serviço, que nem sequer era dele, e que; aliás, segundo as profecias, era a característica do rei justo, pobre e desamparado (cf. Zc 9,9). Não entra como um general, mas como o filho de um humilde carpinteiro de Nazaré; e que a seguir, entrando no Templo, expulsa os vendedores e denuncia a hipocrisia do comércio dos animais para os sacrifícios (cf. Mt 21,12-17). Sem dúvida, a sua maior batalha ainda estava por vir, e seria a que aconteceria em breve e que o levaria à morte na cruz.

Portanto, o messianismo de Jesus está baseado no serviço aos mais fracos. Seu messianismo é um messianismo inclusivo que inclui a todas aquelas pessoas que o legalismo religioso, por um lado, e o poder romano, por outro, tinham excluído e condenado. Seu messianismo e seu reinado superam a idéia nacionalista, militar e política, tal e como era entendida na sua época. E quando Jesus assume esse messianismo sabe que vai ter que enfrentar três forças, e que ao fazer isso de fato está assinando sua própria sentença de morte.

Por um lado, vai ter que enfrentar a classe religiosa de seu tempo, que não concebia um Messias pobre, sem armas, sem exércitos, e menos ainda que criticasse o atuar dos líderes políticos e religiosos desse momento. Eles serão os primeiros a se lhe opor porque também não creem que Deus use uma pessoa pobre e simples para anunciar a chegada do Reinado de Deus.

Por outro lado, também a gente do povo será uma força de oposição. Ao princípio gritam “Hosana”, que hoje usamos como uma expressão de louvor, mas que realmente é uma súplica e significa “Salva-nos”, “Auxilia-nos”. E também gritam: “Bendito o que vem em nome do Senhor”, que era uma expressão de saudação aos peregrinos que entravam em Jerusalém. Mas, esse mesmo povo que havia sofrido exploração, fome e escravidão, no final não será capaz de aceitar um Messias saído dessa realidade de miséria e exploração, nem de assumir a projeto que Jesus estava propondo. Então, irão rejeitá-lo e aprovar sua morte. E ainda que possamos supor que não foram todos os que acompanharam Jesus na sua entrada os que depois pediram sua morte, certamente, a maioria deles foi convencida pelos saduceus, fariseus e sacerdotes para pedir a Pilatos a morte de Jesus.

E, finalmente, a última força será Roma, que não vai permitir que se propagasse o ensino revolucionário daquele filho de carpinteiro. Por isso vai procurar por todos os meios aliar-se com o poder político e religioso judeu, e manipular à população confundida e aturdida para concordar na morte de Jesus.

E certamente muito ensino pode ser tirado hoje de todo o simbolismo e mensagem desse texto que narra a entrada de Jesus em Jerusalém. Como comunidade de fé, temos hoje o desafio de imitar a esse Jesus. Não podemos nos aliar com aqueles que têm poder e dinheiro neste mundo e que o aproveitam para dominar e manipular aos mais fracos. É importante não ceder ante as pessoas que querem comprar nossa consciência. Pelo contrário, devemos manter-nos firmes no seguimento de Jesus.

A segunda leitura de hoje (Fp 2,6-11) nos fala desse Messias servo do qual falou o Segundo Isaias. O texto de Pablo nos traz um famoso e conhecido hino cristológico. Seu tema central é a humildade e a vontade de serviço de Jesus Cristo, que não buscou conservar seus privilégios, mas, pelo contrário, se despojou deles para se fazer um de nós. E assim, pagando o preço da cruz por cumprir sua tarefa, nos deu a vida plena.

Pablo nos convida hoje a ter “os mesmos sentimentos de Cristo” (Fp 2,5). Isto é, saber despojar-nos de situações de privilégio para cumprir nossa tarefa de testemunhas do amor de Deus. Hoje, muitas pessoas vivem em condições inumanas, numa solidão profunda; ser solidários com essas pessoas é uma exigência para todo seguidor de Jesus. Solidariedade que implica não um dar desde em cima, mas um compartilhar desde embaixo; não calmantes a uma situação que se deteriora, mas palavras e gestos de compromisso permanente com aqueles e aquelas que sofrem. Nesse trabalho nos encontraremos com dificuldades. Mas não devemos ter medo nem voltar para trás, porque Deus está conosco e nos acompanha.

A comemoração do Domingo de Ramos é, ao mesmo tempo, uma mistura de alegria e de dor. Mas definitivamente nos enfrenta ante a morte e, particularmente, a ressurreição de Jesus, que é um acontecimento fundamental para nossa fé. Como comunidade devemos nos alegrar, como o fizeram essa minoria de pessoas pobres e simples de Jerusalém, pela presença de Jesus no meio de seu povo humilde. Ao escolher seu mesmo caminho, devemos estar preparados para assumir as dificuldades e conflitos, mas ao mesmo tempo para experimentarmos a verdadeira alegria e a paz que só ele nos pode dar.

Quaresma 3No Domingo de Ramos somos desafiados a celebrar a semana da Paixão reconhecendo que o reino que Cristo inaugura tem valores diferentes dos nossos, o qual significa e implica uma mudança de vida e de mentalidade. Por isso, como o povo de Judá no passado, devemos também clamar: “Senhor, Salva-nos e Auxilia-nos” para entender e compreender a diferença qualitativa que o Reino traz para nossas vidas e a sociedade. Para finalmente também clamar: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”

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