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Homilias

Jesus levado pelo Espírito no deserto


Jesus levado pelo Espírito no deserto

Quaresma- Jesus no deserto 3

As tentações de Jesus

1ro Domingo da Quaresma – Ciclo C 

Textos:
1ra leitura: Deuteronômio 26, (1-4) 5-11
Salmo 91,9-15
2da leitura: Romanos 10,8b-13
Evangelho: Lucas 4,1-13

Quaresma - Quarta-feira de ci nzasJá estamos em Quaresma, que começou na passada Quarta-feira de Cinzas. É um tempo de preparação para a mais importante de todas as festas: a Páscoa. E Quaresma é um termo que vem do latim que significa 40. E o número 40 é um número muito usado e muito simbólico na tradição bíblica. Expressa ou significa a presença especial e/ou a ação e a revelação de Deus na vida de uma pessoa (por exemplo, Moisés, cf. Ex 34,28; Dt 9,9-10; Elias 1Rs 19,8); de um povo: os quarenta anos de Israel no deserto antes de entrar na Terra Prometida (cf. Ex 16,35; Nm14,33-38); os quarenta anos que ficou o povo de Israel exiliado na Babilônia; e no texto do evangelho de hoje lembra de maneira especial a Jesus preparando-se para sua missão em um retiro de 40 dias no deserto.

Dessa maneira, Quaresma é um tempo especial para refletir sobre nossas vidas, para olhar em nossoQuaresma interior e também para olhar a realidade que nos rodeia para poder responder com responsabilidade aos desafios que a vida coloca enfrente de nós todos os dias. Quaresma é tempo de reflexão e aprofundamento de como entender nosso discipulado e compromisso com Jesus Cristo.

Na Igreja primitiva, os catecúmenos (pessoas que se preparavam para receber o sacramento do batismo) viviam esses quarenta dias como o último período de preparação para ser batizados no amanhecer do domingo de Ressurreição. Esses dias eram para eles um período de recolhimento, reflexão, jejum e oração. Essa disciplina passou a ser seguida também pela comunidade em forma de solidariedade aos catecúmenos e assim, aos poucos, foi se delineando a Quaresma, que sempre se inicia quarenta dias antes do Domingo de Páscoa, na Quarta-feira de cinzas.Quaresma - Quarta-feira de cinzas

Hoje a Igreja separa este tempo como um tempo de preparação para a grande celebração da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Quaresma, portanto, é um tempo de arrumar a nossa casa; é um tempo de arrumar o interior de cada um de nós em nossa relação com Deus e com o próximo.

Quaresma - Jesus no desertoSegundo o texto do evangelho de hoje, Jesus após seu batismo no Jordão, conduzido pelo Espírito, retirou-se para o deserto para um retiro de 40 dias em preparação para sua missão.   E o deserto é outro termo bíblico muito simbólico. Na tradição bíblica era o local onde moravam os inimigos do bem. Porém, como já comentamos, também antes de acontecerem todos os grandes fatos na história de Israel e todas as grandes decisões e mudanças, sempre ouve um tempo de deserto. Por isso, em nosso texto não se trata apenas de deserto geográfico, mas também simbólico.

Os quarenta dias que Jesus passou no deserto, poderiam representar todo o tempo de sua vida pública, todo seu ministério, em paralelo e sintonia com os 40 anos que Israel passou no deserto antes de entrar na Terra Prometida. Também pode significar que durante toda sua vida Jesus esteve em luta permanente contra as propostas que comprometiam seu ministério e sua missão, contrárias ao Plano de Deus.  Porque ainda que durante todo seu ministério, Jesus esteve em permanente contato com Deus foi, ao mesmo tempo, continuamente tentado a afastar-se do seu projeto. Além disso, a relação entre os quarenta dias de Jesus no deserto e os quarenta anos de Israel apresentam o ministério de Jesus como um novo êxodo libertador.

Desta maneira, deserto é um termo riquíssimo em significado; pode significar um espaço de “esvaziamento”, de reflexão no qual somos confrontamos com nós mesmos e com nossos próprios interesses e ambiciones.

Também no evangelho de hoje destaca-se o termo “diabo”. E gostaríamos também fazer uma Quaresma - o diabo 3clarificação desse termo. Não é necessário que nossa fantasia dispare imaginando o diabo, como fazem os filmes de terror, como um ser com chifres e um olhar maligno e aterrador, e com um rabo que termina em forma de ponta de flecha. O termo “diabo” vem do grego e significa basicamente “aquele que divide”, ou “todo o que divide”.

Então, simplesmente podemos dizer que “diabo” ou “o diabólico”, indica tudo o que provoca divisão, seja dentro de nós mesmos ou entre as pessoas, e inclusive, dentro das instituições, incluindo a própria Igreja. Por isso, quando o texto diz que Jesus lutou com o “diabo”, está-se significando que ele teve que enfrentar muitas oposições que procuravam impedir a realização do seu projeto.

Então, depois dessas clarificações podemos entrar a analisar e refletir sobre o evangelho de hoje. Vemos assim que Jesus teve também “seu deserto”, seu momento de reflexão antes de começar seu ministério. E nesse ambiente de deserto, de desamparo e solidão, segundo o texto, Jesus é colocado a prova pelo “diabo”.

Logicamente Jesus está faminto depois de 40 dias de jejum; e vem ai a primeira tentação, a magia da prosperidade ou de uma abundância fácil: “Se você é o Filho de Deus, mande que esta pedra vire pão”. Por um lado, a tentação de produzir alimentos num período de carência poderia fazer Jesus aparecer como o líder que alimentaria o povo faminto da sua época. Jesus se apresentaria como o gênio da lâmpada maravilhosa. Por outro lado, se insinua a dúvida: “se você é o Filho de Deus”. Porque se Jesus é Filho de Deus não poderia passar por dificuldades, sejam financeiras ou de carência. Entretanto, ante esta tentação, de prosperidade e abundância fácil, vemos que Jesus firme em seu objetivo não mordeu a isca; não se deixou envolver pela armadilha e pela proposta do tentador e lhe responde com uma frase bíblica: “As Escrituras afirmam que o ser humano não vive só de pão” (cf. Dt 8,3).

E essa tentação é muito comum em nossos dias. As chamadas “teologias de prosperidade” trabalham dessa maneira. Afirmam que se algo nos falta é porque não somos filhos de Deus e, portanto, não temos a benção divina. E a partir daí mandam cobrar de Deus a prosperidade financeira e a cura para todos os males. Como se Deus fosse o mágico de todos os mágicos. Mas esse jeito de ver a Deus, ou seja, como a aspirina que resolve todos os problemas, é a mais perfeita atualização da “teologia do diabo”.

A seguir diz o texto que Jesus é levado até o alto de uma montanha onde dava para ver todos os reinos do mundo. E vem ai a tentação do poder do prestigio e de privilégios; desta vez a proposta é um negócio ou uma transação comercial: “eu lhe darei todo esse poder e esta riqueza… se você se ajoelhar diante de mim e me adorar”. Mas Jesus, profundamente conectado ao Espírito de Deus e consciente de sua missão, novamente não se deixou enganar. E respondeu ao tentador com outra frase bíblica: “As Escrituras afirmam: Adore o Senhor, seu Deus, e sirvam somente a ele” (cf. Dt 6,13ss).

Essa tentação do poder, de prestigio e de privilégios, também é uma tentação muito comum em nossos dias. Dela também temos que nos cuidar. Às vezes fazemos do poder, do prestígio e dos privilégios deuses aos quais adoramos e servimos como se fossem o próprio Deus.

A seguir, continua o texto, Jesus é levado para Jerusalém, para um dos pontos mais altos do Templo. E Quareasma - Jesus e a cuzali o tentador lhe desafia de novo. Desta vez é a tentação do sucesso e de pôr a prova ao próprio Deus. A proposta é um desafio à lei da gravidade; e para fazer a proposta mais atrativa, o diabo, citando um verso de um Salmo, coloca como isca no seu anzol as próprias Escrituras: “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, porque as Escrituras Sagradas afirmam: Deus mandará que os seus anjos cuidem de você” (cf. Sl 91,11). A proposta é um reinado sem cruz e sem sofrimento. Mas Jesus, firme e decidido na sua missão não se deixou envolver, e citando outra frase bíblica respondeu ao tentador com um “não” contundente: “Não tentaras o Senhor teu Deus” (cf. Dt.6,16).

E têm por ai pessoas que pregam para desafiarmos e provarmos o poder de Deus. Mas fazendo isso tomam em vão o nome daquele que resistiu essa tentação. Porque uma coisa é confiar em Deus e outra coisa diferente é pensar em situações absurdas para pôr à prova a proteção divina. Fazendo isso estaríamos tentando o próprio Deus. Daí a resposta de Jesus: “Não tentaras o Senhor teu Deus”.

As primeiras gerações cristãs se interessaram muito pelas provas e tentações que Jesus teve que superar durante toda sua vida para manter-se fiel a Deus e seu projeto. Entretanto, o relato das tentações de Jesus não é um episodio fechado e passado que acontece em um momento e lugar determinado. O evangelista nos adverte que ao terminar as tentações, “o diabo se afastou dele até outro momento oportuno”. As tentações voltarão tanto na vida de Jesus quanto na de seus seguidores.

Quaresma o diaboDesta maneira, irmãos e irmãs, o que aconteceu com Jesus acontece também hoje com cada um de nós. E não é uma figura tenebrosa e sedutora com chifres e rabo terminado em forma de flecha, que vem a trazer propostas para nos afastar de nossas prioridades. É na vivência diária que somos tentados a romper com nossos compromissos e nossa missão. Muitas vezes, afastados do Espírito de Deus, nos deixamos dobrar pelas tentações dos demônios de hoje, e criamos nossos próprios deuses, nossos ídolos como valores absolutos: o dinheiro, o prazer, o poder, o prestigio, a lógica do descompromisso com os mais necessitados, e até o próprio eu. Porém, o que nos salva é que da mesma maneira que aconteceu com Jesus, se o Espírito de Deus está conosco também nós haveremos de vencer.

DesertoPor tanto, queridos irmãos e irmãs, e encerrando esta reflexão, Quaresma é tempo de deserto, mas deserto no meio do barulho do mundo, no meio do egoísmo, da injustiça, da violência, da miséria e da infidelidade. Mas também no meio da luta para conseguir melhores condições de vida para todas as pessoas, para conseguir um mundo mais bonito e melhor. Esse é nosso deserto de hoje, aonde somos convidados a nos encontrarmos com Deus e com nossos irmãos e nossas irmãs. Quaresma também é tempo de conversão, de mudanças, para poder celebrar a Páscoa, ou seja, o passo da morte à vida, do individualismo à comunidade, da indiferença ante a dor de nosso mundo à solidariedade. Quaresma 3E finalmente, Quaresma é tempo para fortalecer nossa fé, para ter novas esperanças, para renovar nossa solidariedade para com nossas famílias, para com o próximo, para com a Igreja e para com a sociedade.

Discussão

14 comentários sobre “Jesus levado pelo Espírito no deserto

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