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Homilias

“Que a paz esteja contigo, Maria!”


“Que a paz esteja contigo, Maria! Você é muito abençoada.

O Senhor está contigo”

(Lucas 1,26)

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4to domingo do Advento

Textos
1ra leitura: Miquéias 5,1-4a
Salmo 80,1-7
2da leitura: Hebreus 10,5-10
Evangelho: Lucas 1,26-45

O Advento como tempo de preparação para o Natal é um momento de alegria. É alegrar-se porque Deus se fez história; colocou sua morada em meio de nós (cf. Jo 1,14); se fez Emanuel, o seja, “Deus conosco” (cf. Is 7,14; 8,8; Mt 1,23). É alegrar-se porque em Jesus Cristo, Deus veio, sempre vem e sempre estará vindo para nos mostrar concretamente o que significa o caminho do bem, do amor, da fraternidade, da justiça e da paz.

Entretanto, como sentir alegria em um mundo com tantas tristezas, dores, escândalos, corrupção, guerras, violência e fome? Como poderemos ver a chegada da salvação no rosto de um menino que nasce na pobreza de uma manjedoura?

Mas acontece que nossa alegria não é simplesmente festa, diversão ou euforia. É a alegria da certeza e da esperança que nesse menino que nasce na pobreza de uma manjedoura, o Reino de Deus, ainda imperfeito, está já no meio de nós, mas em processo de crescimento e de amadurecimento; a alegria da certeza e da esperança, que esse menino que nasce na pobreza de uma manjedoura pode fazer, pela força do amor, o mundo mudar; para que as espadas se transformem em relhas de arados e as lanças em podadeiras (cf. Is 2,4); fazer possível que os homens e as mulheres vivamos em paz; e fazer possível que os recursos da natureza sejam compartidos entre todos por igual.

Nos dois domingos anteriores refletimos ao redor da pessoa de João Batista, o mensageiro, a voz que clama no deserto, que anuncia a chegada de uma alternativa, de um novo caminho para os humildes, para os fracos; um novo caminho para os empobrecidos, para os necessitados e para os aflitos. E esse caminho é Jesus.

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João Batista é a figura mais destacada entre os que esperavam a intervenção de Deus na vida da humanidade (cf. Mt 11,11). Ele foi a viver no deserto (Mt, 3,1-2; Mc1,1-8; Lc 3,1-6; Jo 1,23), tal vez para reviver simbolicamente a experiência da libertação daqueles que estavam escravizados no Egito, e, depois de fugir da escravidão de Faraó, saíram para o deserto, guiado pelo Moises, como um período de preparação antes de entrar na Terra Prometida (cf. Êx 2).  Mas há uma diferença desta vez. A salvação é anunciada por João no deserto, mas não é lá que vai se realizar. A salvação vai se produzir, na pequena e insignificante Belém, nas cidades da Galiléia, lá onde estão as multidões famintas, empobrecidas, doentes e oprimidas; e na cidade santa de Jerusalém.

E na primeira leitura tomada do profeta Miqueias se ressalta, precisamente, que a promessa da salvação imagesCAIYNGSWvem da pequena Belém, a cidade que, de acordo à tradição bíblica é a cidade de origem de Davi. De tal modo, de acordo à profecia Deus suscitará um novo rei, um novo Messias, para apascentar os povos com sua força; e com sua força pacificadora ele estabelecerá o seu reinado até os confins da terra: “Belém… você é uma das menores cidades de Judá, mas do seu meio farei sair aquele que será o rei de Israel… e será pastor do seu povo… e ele trará a paz” (Mq 5,2-5).

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Também o Salmo 80 que recitamos hoje fala de Deus como o Pastor de Israel. E o salmista lembra as maravilhas do Senhor ao longo da história, e olhando para o futuro suplica com confiança e esperança: “Ó Pastor de Israel… Mostra-nos o teu poder… Mostra-nos a tua misericórdia… Faz com que prosperemos de novo… Mostra-nos a tua misericórdia e seremos salvos”.

images[9] (3)E estamos no quarto domingo de Advento; e acendemos a quarta vela da coroa de Advento; praticamente estamos às vésperas do Natal! E neste domingo nos reunimos com outra grande figura e símbolo do Advento e do Natal. Desta vez com uma mulher, uma humilde e aparentemente insignificante moradora de Nazaré, uma aldeia, como Belém, também insignificante e sem importância.

E estamos reunidos com Maria, uma campesina pobre de Nazaré. Mas à qual o anjo saudou: “Que a paz O%20Sim%20de%20Maria[1]esteja contigo, Maria! Você é muito abençoada. O Senhor está contigo”.  E Maria no evangelho de Lucas tem um papel importante e sua vocação é contada como uma das maiores figuras da Bíblia.

No Antigo Testamento há muitas histórias parecidas a esta anunciando o nascimento de algum personagem importante. Por exemplo, temos o nascimento de Isaac (Gn 21, 5; 17,17), o nascimento de Esaú e Jacó (Gn 25,21-26), o de José (Gn 30, 22-24), o de Sansão (Jz 13, 2-25) e também o nascimento do profeta Samuel (1Sm 1,1-20). E no evangelho de Lucas também se oferece a anunciação de João Batista (Lc 1,5-25).

O fim que buscam essas histórias é familiarizar ao leitor com a pessoa que vai nascer e o papel que exercerá na história do povo e na história da salvação. Evidentemente trata-se sempre de uma figura importante e de uma função de primeira categoria.

A situação normal de todos esses textos que narram uma anunciação é de apresentar o nascimento de uma maneira milagrosa, geralmente comunicado a um casal idoso e/ou estéril. Mas na história da anunciação de Maria há elementos que a diferenciam de outras anunciações. Os elementos simbólicos são muito mais fortes e marcantes. No nascimento de Jesus não é mais um casal idoso que recebe a noticia que vão ter um filho; aqui se trata de uma mulher simples, jovem e sem esposo. Vemos como, neste caso, o evangelista quer deixar claro que no nascimento de Jesus o poder divino se manifesta de uma maneira muito mais grandiosa e poderosa.

Portanto, com o nascimento de Jesus se interrompe o processo histórico de nascimentos especiais. É um momento histórico no qual Deus estabelece laços únicos com a humanidade. A mensagem desta história é provocar ao leitor a dar resposta a duas perguntas: Que importância terá para o mundo o nascimento de Jesus? Qual será seu rol na história da salvação, se nasce por obra e graça do alto? Evidentemente, na própria apresentação do nascimento de Jesus, de uma forma grandiosa, milagrosa e portentosa, já se encontra a resposta a essas preguntas: o nascimento de Jesus vai ser um fato importantíssimo na história da salvação.

Mas agora voltemos brevemente nossa atenção a Maria. No Antigo Testamento houve mulheres que jogaram um papel importante no nascimento de seus filhos profetas. Todas estas mulheres “foram abençoadas por Deus”. O Antigo Testamento não se tivesse escrito sem elas. Porém, agora é a vez de Maria. E também o Novo Testamento não se tivesse escrito sem o papel desempenhado por ela.

É verdade que em ocasiões a função de Maria na história da salvação há sido exagerada; em prejuízo, em alguns casos, de um entendimento adequado da obra de Jesus. Mas também é verdade que não podemos ignorar a Maria, como pretendem algumas denominações cristãs; isso não é justo, nem seria bíblico; porque nem os evangelhos nem a tradição da Igreja, ignoraram a Maria.

Sem dúvida, ninguém conheceu Jesus melhor que Maria; ninguém viveu mais perto de Maria que Jesus; e ninguém esteve mais unido a Maria que Jesus. Maria não teve medo do anjo, mas ficou assombrada quando escutou: “O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Deus Altíssimo te envolverá com a sua sombra” (Lc 1,35). E com essas palavras lhe foi anunciado que o Senhor tinha decidido visitá-la de uma maneira muito especial.

Ao passo que Jesus crescia e iniciava seu ministério público, também Maria crescia e se assombrava, a images[3] (4)cada dia mais, por tudo o que sucedia ao seu amado filho; mas ela, “guardava cuidadosamente todas as coisas no seu coração” (Lc 2, 51). Então, Maria, por ser a mãe de Jesus, por levar uma vida de santidade em um grau eminente, merece toda nossa admiração, respeito e amor. Porque quando ela aceita o desafio do anjo e responde: “Eu sou a serva de Deus, que se cumpra em mim segundo a tua palavra”, chega a ser de fato o primeiro membro da comunidade dos crentes em Jesus Cristo, e modelo do discipulado cristão completamente entregue ao serviço de Deus.  Sua figura de mulher simples, livre e forte emerge da tradição evangélica, conscientemente orientada para o seguimento de Jesus. Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Jesus, e, segundo o evangelho de João, quando todos os discípulos fugiram, foi uma das mulheres que acompanho Jesus até a morte e fico aos seus pés na cruz (cf. Jo 19,25).

Assim, Deus manifesta a plenitude da vida e da salvação no meio das pessoas simples, empobrecidas e excluídas, como João, Zacarias, Isabel e Maria. Ele visita seu povo e faz resplandecer a luz para toda a humanidade, através do indefenso menino que há de nascer da pequena e insignificante Belém.

Um novo aniversário do nascimento de Jesus se aproxima e a figura de Maria, sua mãe, é ressaltada e lembrada, porque ela encarnou, representa e simboliza a espera e a fé de Israel. Ela confiou plenamente no Senhor ao dizer: “que se cumpra em mim segundo a tua palavra”.

E irmãos e irmãs, também nós estamos rodeados pelo mistério divino mais do que podemos imaginar. Também nós tivemos nossa anunciação. O anjo do Senhor veio também a nossas vidas na anunciação de nosso batismo. Nele, nós, como Maria, também recebemos a visitação do anjo e também simbolicamente fomos cumprimentados por ele: “Que a paz seja contigo, meu irmão ou minha irmã, te cumprimento, porque a partir de agora Deus está contigo de uma maneira muito especial!”.

E a partir daí o principal objetivo de nossas vidas é descobrir e manifestar a todo o mundo a divindade que levamos em nosso interior. Essa é a autêntica novidade que trouxe Jesus a nossas vidas. Mas esse objetivo não se alcança facilmente. Por isso devemos ser anjos uns dos outros e lembrar-nos constantemente uns aos outros: “O Senhor está contigo!” O qual significa dizer para o nosso irmão ou para a nossa irmã: “na importante e tremenda tarefa que você tem de manifestar a divindade que você leva dentro, que Deus te ilumine e fortaleza sempre”. Assim, nós poderíamos também responder com Maria: Eis aqui o servo ou a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra”.

Alegremo-nos como João Batista e, inspirados pelo Espírito Santo, e fazendo nossas as palavras de Isabel, proclamemos: Maria, “você é a mais abençoada de todas as mulheres”, porque acreditou que seria cumprido o que Deus a través de seu mensageiro prometeu: “Deus virá morar no meio de nós”.

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Irmãos e irmãs, alegremo-nos; Natal está perto; um menino nasceu para nós: Feliz e abençoado Natal!

Discussão

10 comentários sobre ““Que a paz esteja contigo, Maria!”

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