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Estudos bíblicos - O evagelho de Lucas

ESTUDOS NO EVANGELHO DE LUCAS – VI


ESTUDOS NO EVANGELHO DE LUCAS – VI

Os caminhantes de Emaús

Texto: Lc 24,13-35

Momento celebrativo

Leitura do texto

* Ler o texto em voz alta

Comentários iniciais

O evangelho de Lucas dedica vários relatos às aparições do Jesus ressuscitado. Isto significa que o fato da ressurreição foi um evento de suma importância para as primeiras comunidades cristãs.

E entre outras coisas, o relato do caminho de Emaús, tenta explicar para a época o fato da ressurreição. O evangelista tenta aclarar coisas difíceis de entender para aqueles que não viveram as experiências dos apóstolos, nem participavam da cultura judaica.

Mulheres, discípulos e apóstolos

O texto ajuda a refletir sobre o que significava ser mulher no tempo de Jesus. O primeiro relato de testemunhas da ressurreição corresponde a mulheres (Lc 24,1-12). Já o segundo corresponde a discípulos homens (Lc 24,13-35). E é que a palavra das mulheres não tinha validade nenhuma na época de Jesus. Por isso, os discípulos não aceitaram facilmente as notícias da ressurreição contadas pelas mulheres. Não lhes bastava o relato das mulheres: queriam ver.

E precisamente este relato (Lc 24,13-35), agora de discípulos homens, se contrapõe ao relato não acreditado das mulheres. Os discípulos avaliam o testemunho das mulheres, não pela notícia em si, mas pelas pessoas que comentam (mulheres). Porém, já no verso 34 se dá a resposta final ao relato das mulheres: “Elas tinham razão….”.

Dois caminhantes e um forasteiro

O primeiro dia da semana dois do grupo ao qual pertenciam as mulheres iam para uma aldeia chamada Emaús. Mas não se trata de simples caminhantes que vão para uma aldeia, mas de dois caminhantes que dialogam e discutem entre si (v.13-14).

Jesus se coloca no meio deles e é quem pergunta sobre o conteúdo da discussão. Na conversa Jesus não dá respostas, só pergunta. E nas respostas que os discípulos dão avaliam a obra de Jesus e suas expectativas de futuro. Falam das esperanças que tinham do Messias: não um Messias sofredor, alguém que não podia sofrer as humilhações que sofreu Jesus. Assim, eles viam a figura do Messias em um sentido muito triunfalista: um libertador de Israel, um guerreiro. Por isso, agora para eles não há futuro; com a morte de Jesus tudo terminou (v.15-24).

No entanto, Jesus lhes apresenta uma visão diferente dá visão que eles tinham sobre o Messias (v. 25-27). Mas, apesar da conversa com Jesus os discípulos continuarão pensando do Messias como um libertador de Israel no sentido guerreiro (cf. At 1,6)

O ressuscitado mudou o sentido da caminhada

No final do relato, os discípulos que iam de Jerusalém a Emaús voltam em sentido contrário, ou seja, de Emaús a Jerusalém (v.33). Mas a volta não é uma questão meramente geográfica, tem um grande sentido para interpretar o texto. A mudança de direção significa a volta da esperança. E essa volta acontece no meio do partilhar comunitário. Eles conseguem ver Jesus no partir do pão (v.30-31).

Assim, nos versos 33-35 os discípulos de Emaús se levantam ao momento e retornam ao lugar de onde tinham partido temerosos, e ali, encontram reunidos aos Onze e aos que estavam a seu lado. Estes faziam exclamações, afirmando a ressurreição de Jesus e sua aparição a Simão. Por sua vez, eles, contaram o que lhes tinha ocorrido e como lhe tinham reconhecido ao partir o pão.

Observemos o objetivo último do relato: os peregrinos se reincorporam à missão: retornam a Jerusalém. Antes que eles pudessem falar, escutam: “É verdade ! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” Depois contam sua experiência: voltar ao lugar de onde fugiam, cheios de medo, de tristeza e sem esperanças. É precisamente este o objetivo de Jesus: ajudá-los a retornar a Jerusalém. Desde ali seguramente, marchariam anunciando a boa noticia: “ É verdade ! O Senhor ressuscitou ! ”; assim como a outros lugares, dando testemunho, com palavras e ações concretas, da fé que levavam no profundo de seu coração e sua mente.

Atualizando o texto

O relato ajuda a formar os sujeitos históricos que proclamam a fé. É importante lembrar que um sujeito histórico não é um objeto. Cada pessoa é única e é essencialmente alguém que necessita relacionar-se com sua própria subjetividade, com as outras pessoas, com a sociedade e com a natureza.

Através da prática do amor que nos mostra Jesus Cristo, podemos educar e ajudar a outras pessoas necessitadas, as que também podem ser importantes sujeitos históricos, autônomos, livres, capazes de «dizer»” e «fazer» valer sua palavra; sujeitos históricos que participem de forma ativa na antecipação do Reino de Deus; sujeitos históricos que possuam diferentes opiniões e que permitam às outras pessoas a mesma pluralidade.

É bom destacar também que o importante para compreender a mensagem bíblica não é saber recitar  muitos textos bíblicos. O essencial é descobrir os fios que relacionam o passado com o presente. É reler o texto bíblico partindo da realidade da comunidade. É interpretar a Vida com a ajuda da Palavra na reflexão comunitária. E uma releitura não é simplesmente ler um texto bíblico de novo, mas acercar-nos ao texto com nossas novas perguntas de hoje, “com novos olhos” para que de novo “arda nosso coração”.

Perguntas para ajudar na atualização do texto

• De que maneira a narrativa do Caminho de Emaús nos pode ajudar em nossa leitura popular e comunitária da Bíblia?
• Como poderemos contribuir hoje, através de uma releitura das Escrituras, a que a comunidade seja sujeito da mudança e renovação, tanto no material como espiritual, em nosso contexto eclesial e social?
• Qual é o papel de cada pessoa no trabalho educativo e formativo de toda a comunidade?
• Como caminhar junto com as demais pessoas hoje na interpretação das Escrituras para nosso presente?

Conclusão

Terminar com um momento de oração que resuma o estudo e nos faça comprometidos com os desafios que o texto demanda de nós hoje.

Bibliografia básica consultada e recomendada para este estudo

RUIZ ORTIZ, Carlos, “O caminho de Emaús (Lc 24,13-35)”, em: Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, Vozes, Petrópolis, 2003, No.44/1, p.176.

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Pedro Triana, Ave. Goiás 2547, Casa 20, Barcelona, São Caetano do Sul/SP, CEP: 09550-051, E-mail: triana231247@yahoo.es e pedro_triana_sp@hotmail.com Telf: res. (11) 4225-1421 e cell. (11) 8362-9220 (TIM)

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