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Estudos bíblicos - O evagelho de Lucas

ESTUDOS NO EVANGELHO DE LUCAS – IV


ESTUDOS NO EVANGELHO DE LUCAS – IV

Jesus e as crianças

Quem é o mais importante?

Texto: Lucas 9,46-48.

Momento celebrativo

Leitura do texto

  • Ler o texto em voz alta

Aproximação ao texto

1. Identificar os protagonistas

2. Qual é a idéia central do texto?

3. Qual jeito de Jesus tem a ver com esse fato?

Contexto histórico: As crianças em uma sociedade patriarcal

No Antigo Testamento, as crianças eram para o povo judeu um dom precioso de Deus, contrariamente ao mundo greco-romano, onde as crianças eram tidas geralmente em pouca estima e não eram consideradas pessoas com direitos, nem tinham status nem poder.

No entanto, nas sociedades patriarcais as crianças simplesmente não contavam; estavam envolvidas em um mundo marcado por um tipo de relações excludentes e alienantes. Estas sociedades rompem com toda possibilidade de viver a experiência da infância, simplesmente não há espaços, nem tempos para vivê-la.

Desta estrutura patriarcal (simbólico-social) dão testemunho alguns textos bíblicos.

As crianças eram excluídas dos diferentes níveis da sociedade judeu-romana. A discriminação das crianças na linguagem expressa a exclusão que se exercia sobre elas em diferentes âmbitos da sociedade.

A exigência de fazer-se como crianças, como condição para acolher o reino de Deus, neste contexto da sociedade patriarcal judeu-romana, adquire uma dimensão utópica.

Mas com Jesus a utopia adquire sentido:

• Questionando tanto os valores sociais oficiais/patriarcais da sociedade judeu-romana como os veículos institucionais e sociais que objetivam esses valores.

• Rompendo de uma maneira simbólica, e, portanto real, com as ordens e as estruturas simbólicas e sociais que identificam à sociedade patriarcal (relações hierárquicas: em cima/abaixo, excludentes: dentro/fora).

• Propondo uma nova estrutura social e simbólica nas quais a figura do/a menino/a, pequeno/a são as que determinam novas relações sociais (horizontais e inclusivas).

• Liberando a seus discípulos das estruturas patriarcais (manifestada na eficácia, o ser o maior, o estar sentado à direita e à esquerda, a ambição de poder, etc.).

Comentário

Este incidente acontece depois da Transfiguração, e depois que Jesus falou a seus discípulos da sua morte na cruz, que já se aproximava. Note-se o contraste entre a atitude de Jesus e o interesse egoísta de seus discípulos (v. 46).

Da mesma forma que o sucedido com os fariseus em 5,22 e 6,8, Jesus percebe as aspirações pecaminosas no debate entre os discípulos (v. 47).

Tal e como Jesus representa ao Pai, as crianças (pessoas mais fracas, débeis e humildes na sociedade) representam a Jesus; por isso os discípulos devem estar dispostos a ser humildes. Jesus não responde à pergunta dos apóstolos sobre qual deles era o mais importante, mas fala do modo melhor de se aproximar a Cristo. E a Cristo é preciso recebê-lo nos pequeninos. Apresenta, além disso, como modelo às crianças, pois elas têm uma atitude de confiança e humildade.

A condição de servo leva à santidade. Em um dos grandes paradoxos da vida cristã, Jesus expôs que a verdadeira grandeza procede de ser insignificante aos olhos do mundo (cf. Mt 18,1-14; Mc 9,33-37). Quando os seres humanos têm essa classe de atitude, a questão das prioridades desaparece. Para Jesus, Deus se revela aos que são como crianças. Para Ele as crianças estão no centro; elas são realmente importantes. Teologicamente falando, são imagem/sacramento de Jesus e de Deus.

Atualização

A sociedade na qual vivemos, ou sobrevivemos, quer quebrar a possibilidade de viver a experiência profunda da infância –dimensão que faz parte de nosso próprio sentido de existir como pessoas e como grupos sociais– afetando-nos com todas as conseqüências e seqüelas aos níveis social (econômico-político), religioso, psicológico, etc. Nós estamos acostumados a uma «vida adulta». E neste contexto voltar a ser como crianças se transforma em uma utopia. Voltar ser como crianças é a maneira em que podemos recrear a utopia do reino de Deus.

O Novo Testamento nos proporciona uma rica e fresca imagem da infância, que pode ajudar a construir uma nova realidade sobre a infância, onde se faça justiça à realidade das crianças, a seus valores, a suas capacidades e a seu protagonismo.

Quando estejamos dispostos a recuperar o menino ou menina que todos levamos dentro, poderemos afirmar que o reino de Deus anunciado por Jesus começa a ser uma realidade.

Perguntas para a reflexão e análise grupal

1. O que quis Jesus dizer quando afirmou que tínhamos que ser como crianças para herdar o Reino do Céu?

2. Quais são as atitudes que nos fazem grandes ante os olhos de Deus?

3. O que lhe diz a nossa realidade eclesial de hoje?

Conclusão

 Terrrminar com um momento de oração que resuma o estudo e nos faça comprometidos com os desafios que o texto demanda de nós hoje.

Bibliografia consultada e recomendada para este estudo

ASENCIO SIRES, Isora, “¿Quién es el mayor?”, em: ¿Y ustedes, quién dicen que soy? Subsidios Bíblicos 2005-2006 / ed. Pedro Triana – La Habana, Centro de Estudios del Consejo de Iglesias de Cuba (CECIC), 2006.

CARDOSO PEREIRA, Nancy, “El Mesías siempre debe ser um niño”, em: Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana, RECU, Quito, Ecuador, 1996, No.24/2, p.17-24.  (Ver edição em português No.24, Vozes, Petrópolis)

REYES ARCHILA, Francisco, “Volver a ser como niños, una hermosa utopía”, em: Revista de Interpretación Bíblica Latinoamericana, RECU, Quito, Ecuador, 1996, No.24/2, p.49-66. (Ver edição em português, No.24, Vozes, Petrópolis)

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Pedro Triana, Ave. Goiás 2547, Casa 20, Barcelona, São Caetano do Sul/SP, CEP: 09550-051, E-mail: triana231247@yahoo.es e pedro_triana_sp@hotmail.com Telf: res. (11) 4225-1421 e cell. (11) 8362-9220 (TIM)

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