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Estudos bíblicos - O evagelho de Lucas

ESTUDOS NO EVANGELHO DE LUCAS – III


ESTUDOS NO EVANGELHO DE LUCAS – III

A solidariedade: signo de perdão na comunidade lucana

Texto: Lucas 5,17-26.

Momento celebrativo

Leitura do texto

  • Ler o texto em voz alta

 Aproximação ao texto

1. Em um papelão se anotarão as personagens que participam da perícope, os lugares físicos e geográficos que se mencionam, as ações das pessoas e o tempo em que transcorrem.

2. Sugerimos que o animador ou a animadora vá preenchendo os quadros enquanto o grupo realiza as contribuições. Se algum dado faltasse, o/a animador/a o completará.

Pessoas

Ações

Lugares   físicos e geográficos

Tempo

Jesus -Ensinava (v.7)-Curava (v.18a)_Perdôo pecados (v.20)-Responde aos fariseus (vv. 23 e 24a)-Ordena ao paralítico (v.24b)-Cura (v.25 Implicitamente uma casa Um dia (v, 17)
Fariseus e mestres da lei -Sentados   (v. 17)-Pensavam   (v. 21) Vindos de   Galileia, Judéia e Jerusalém (v. 17)
Homens -Levavam   um paralítico em uma maca (v. 18b)-Tratavam   de entrar ao paralítico e colocá-lo diante de Jesus (v. 19 Subiram ao telhado   (v. 20)
Separaram as lajes   (v. 20)
Desceram a maca e o   puseram diante de Jesus (v. 20)
Sótão (v.   19)Centro da   casa (v. 20)
Paralítico -Estava   deitado em uma maca.
-Deixava-se levar   pelos homens.
-Foi subido ao   telhado.
-Foi posto diante de   Jesus.
-Levantou-se.
-Pegou a maca.
-Marchou-se a sua   casa louvando a Deus.
Casa do   paralítico (v. 26)
Multidão -Escutavam   as doutrinas e eram curados.
-Estavam atônitos (v.   26).
-Louvavam a Deus (v.   26)

 

Comentário

Lucas 5,17-26 é o relato de um milagre, orientado a um ensino. A narração da cura do paralítico aparece também nos outros dois evangelhos sinóticos (Mateus/Marcos). O texto narra que um dia Jesus estava ensinando e curando, e mesmo que não explicita o lugar no qual se encontrava, o texto paralelo de Marcos 2, 2 nos refere que Jesus tinha chegado a Cafarnaum e se achava em uma casa.

Entre as pessoas que ali estavam reunidas figuravam os fariseus e mestres da lei vindos das aldeias da Galiléia, Judéia e Jerusalém que, de acordo com o texto, permaneciam sentados, isto é, em disposição de escutar e aprender o que Jesus ensinava. Eles constituíam a autoridade religiosa de seu tempo, por isso sua presença no relato não resulta fortuita.

O escritor nos apresenta um texto no qual se acham explícitas a solidariedade e a misericórdia. Um homem paralítico jazia em uma maca e outros homens o transladaram até o lugar onde estava Jesus. Ao chegar, não puderam se aproximar a ele devido à multidão que o circundava. E nesse momento apareceu a alternativa! Como buscar uma nova opção ante uma determinada circunstância? Novamente a solidariedade desses homens se evidenciou: carregaram ao paralítico e o subiram ao telhado, separaram as lajes do teto, e introduziram a maca até onde se encontrava Jesus.

É importante destacar que a alternativa que encontraram os homens não foi “pedir permissão para chegar a Jesus”, nem gritar, como em outros textos bíblicos, mas “subir-se ao telhado e tirar as lajes”, ou seja, violar o espaço físico para chegar a Jesus, ação que pode ser interpretada como sinônimo de remoção de obstáculos, de violação das leis em bem do ser humano.

O paralítico não se valia por si mesmo; devia depender das demais pessoas. Era um objeto. Depois da ação dos homens que carregaram a maca o paralítico se transformou em sujeito; e os homens quando reconheceram a condição do prostrado, também se transformaram em sujeitos.

A solidariedade é uma atitude ante a vida que permite às pessoas se reconhecerem como sujeitos. Esta atitude aponta e ajuda a mudar os signos de morte, discriminação e marginalidade em signos de vida.

Jesus avalia o gesto dos homens que ajudaram ao paralítico a chegar até ele. O escritor não enfatiza na fé do paralítico, mas na dos homens que carregaram ao doente (v. 20a). Ao ver a fé deles, Jesus expressou ao paralítico: “Meu amigo, os seus pecados estão perdoados!” (v.20 b).

Nestes versos se manifesta a importância da fé comunitária, já que a partir dela nasce o compromisso e a responsabilidade pelo outro, e se vive uma fé libertadora onde os seres humanos por meio da solidariedade se constituem em sujeitos e constituem a outros em sujeitos de sua história.

Tradicionalmente este texto se estudou em função de Jesus, isto é, da ação de Jesus. Mesmo que esta interpretação não é errônea, seria incorreto passar por cima dos ajudantes do paralítico, que interpelaram às instituições religiosas –mestres da lei e fariseus– que apelavam pelo sacrifício, o legalismo e o individualismo como vias de obtenção da graça divina.

Foi pela ação libertadora dos homens e de Jesus, que aconteceu um conflito entre eles e os mestres da lei e os fariseus, que constituíam um obstáculo para o exercício da solidariedade e representavam o poder religioso apegado ao legalismo. Para eles, Deus só podia perdoar os pecados de aqueles que assumiam o estilo de vida demandado pela lei judaica (Lc 5,20-26). No entanto, para Jesus, voltar para Deus não implicava somente a mudança interior e o arrependimento, mas a totalidade da pessoa e suas relações sociais.

Jesus restaura integralmente ao paralítico; já não é alguém feito uma coisa, dependente da misericórdia dos outros, mas um ser humano dignificado, capaz de levantar-se de seu passado (maca) e andar. A nova criatura, não é alguém que muda por arte de magia, mas um ser humano que se transforma a partir de sua própria história.

A dimensão da fé em Jesus não era individualista. Jesus reconheceu as individualidades, o que não aceitou foi o individualismo, o não-reconhecimento da outra e do outro, como próximo. É por isso que a afirmação “o Filho do Homem”, título utilizado no livro de Daniel, tem uma conotação social, isto é, uma figura coletiva que representa ao ser humano em sua integralidade.

Este texto afirma também que a solidariedade não se empreende a título individual, mas é uma tarefa que compete e compromete a todas as pessoas. A verdadeira solidariedade procura partir das necessidades da outra e do outro, e não do “dever de cumprir o estabelecido ou o aprendido”, como é o caso dos fariseus. A solidariedade consiste em acompanhar-se e reconhecer-se, nas outras e nos outros.

A solidariedade, é um modo de demonstrar a alteridade, ou seja, as diferencias, neste caso as diferentes maneiras de expressar amor pelo outro. A alteridade é um dom que o Reino não suprime, mas que alimenta e sustenta. Deus não é um Deus solitário, alheio das necessidades do ser humano: Deus é um Deus que atua na comunidade e o ponto máximo de sua preocupação é a encarnação no ser humano.

Atualizando o texto
Possíveis pistas para interpretar o texto hoje:

1. Em nossas igrejas se faz ênfase em uma conversão e uma fé individual, no entanto, a proposta de Jesus é uma fé pessoal que se vive com dimensões comunitárias.
2. Agraça, o perdão e a fé são importantes na vida cristã, mas ficam vazias se não as vivemos em função do outro.
3. Na justificação pela fé, a graça de Deus se expressa na comunidade; e a prática da sua práxis é no serviço às demais pessoas.

Perguntas para a reflexão e análise grupal

1. Qual seria a intenção de Lucas ao colocar este texto no seu evangelho? A comunidade lucana se veria refletida nesta situação?

2. Como dignifica Jesus ao paralítico?

3. A quem poderia representar o paralítico em nossa sociedade?

4. Em muitas comunidades existe uma disjuntiva entre a inclusão e a exclusão. Pode-se comentar que pessoas estão excluídas de nossas igrejas. Por quê?

5. Que desafios apresentam a reflexão deste texto em nossas comunidades?

Conclusão

Terminar com um momento de oração que resuma o estudo e nos faça comprometidos com os desafios que o texto demanda de nós hoje.

Bibliografia consultada e utilizada para este estudo

 BLANCO ELISSALDE, Coralia Teresa, “La solidaridad: signo de perdón en la comunidad lucana”, em: ¿Dónde está tu hermano y tu hermana? Subsidios Bíblicos 2004 / ed. Pedro Triana. – La Habana,  Centro de Estudios del Consejo de Iglesias de Cuba (CECIC), 2004

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Pedro Triana, Ave. Goiás 2547, Casa 20, Barcelona, São Caetano do Sul/SP, CEP: 09550-051, E-mail: triana231247@yahoo.es e pedro_triana_sp@hotmail.com Telf: res. (11) 4225-1421 e cell. (11) 8362-9220 (TIM)

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