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Anglicanismo - português, Artigos

“… conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. (Jo 8,32)


“… conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. (Jo 8,32)

(Uma proximação ao anglicanismo – origens, tensões e desafíos no presente)[1]

 O cristinanismo na Inglaterra – As origens

A origem do cristianismo na Inglaterra vai além da chegada do monge beneditino Agostino em 597, e, portanto, é anterior à ocupação romana das Ilhas Britânicas, sendo o primeiro mártir britânico Santo Albano[2], o qual viveu no século 5.[3]

Entretanto, considera-se que a tradição anglicana, ou seja, a «ecclesia anglicana», teve sua origem nesse primeiro cristianismo na Inglaterra e continuidade com a chegada do monge Agostinho, que chegaria a ser o primeiro Arcebispo de Cantuaria no final do século 6. Contudo, penso que está certo Jaci Maraschim quando aponta:

“Sei que alguns anglicanos triunfalistas estão sempre querendo provar que essa igreja sempre tenha existido nas ilhas britânicas e que a separação provocada pelo rei fora apenas um incidente sem maior importância. Não comungo com essa interpretação. A igreja que surgiu depois da Reforma, na Inglaterra, não era a mesma igreja que existia na velha Albion antes da missão romana liderada por Agostino e seus monges. Nem mesmo a que se organizou ao redor da sé de Cantuaria. E não era a mesma porque com a ruptura do século dezesseis fatores novos obrigaram a Coroa britânica a reformular essa igreja dando-lha feições que jamais tivera antes”.[4]

 O anglicanismo

Comumente os termos «anglicano», e «anglicanismo» (lat. Ecclesia Anglicana) são usados para designar os membros, as instituições, as tradições litúrgicas e teológicas e as igrejas que tiveram sua origem a partir da reforma inglesa. A primeira menção à palavra «anglicanismo» encontra-se no Oxford English Dictionary. Trata-se de uma citação de Charles Kingsley[5] em 1846.[6] Porém, pensa-se que uns dos primeiros em usar o termo foi John Henry Newman (1801-1890), durante o Movimento de Oxford, em 1838, [7].

Conforma-se o anglicanismo por uma ampla fraternidade de 38 províncias e 5 igrejas ou dioceses extraprovinciais em comunhão com o Arcebispo de Cantuaria. A Comunhão Anglicana é uma das maiores denominações cristãs com aproximadamente 80 milhões de membros. E como anglicanos nos consideramos parte da Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja de Jesus Cristo.

Nos seus inícios, e além de desacordos teológicos, a origem do anglicanismo teve muito a ver com um assunto de jurisdição e política eclesiástica, ou seja, a certeza de que as igrejas nacionais deviam ser autônomas. Porém, posteriormente ao esforço de criar uma igreja nacional em continuidade com a tradição, se uniram aspectos doutrinais, teológicos e litúrgicos na linha dos princípios da reforma.

Assim sendo, talvez, o verdadeiro gênio do anglicanismo tem sido manter juntas, em uma ampla casa, diversas igrejas de tradição anglicana disseminadas pelo mundo, apesar das diferentes  tendências e posições teológicas, mantendo  um mínimo de relacionamento, paz interna e comunhão.

Então, o resultado de tudo isso tem sido uma comunidade de igrejas que se diferencia grandemente do resto das igrejas cristãs.

 A herança protestante

Alguns anglicanos veem sua identidade na tradição reformada o protestante, ou seja, um protestantismo sem figuras dominantes como Lutero, Calvino, Knox, Wesley ou Fox. E certamente a influência reformada, particularmente do calvinismo a través de Tomas Cranmer, combinado com a influência puritana, e a emergência do movimento evangelical, a partir do século 18, têm incidido na imagem do anglicanismo.

Um exemplo desta herança protestante, por um lado, são os 39 Artigos da Religião, os quais foram, em grande medida, frutos do pensamento de Cranmer, e se encontram em quase todas as versões do Livro de Oração Comum (LOC). Esses artigos reagem contra as invocações dos santos, a adoração do sacramento, a transubstanciação, o purgatório, e a veneração das relíquias. Por outro lado, e produto dessa herança reformada, tradicionalmente em muitas versões do LOC orienta-se um mínimo de paramentos litúrgicos e um cerimonial muito simples.

Nessa linha protestante enquadra-se o chamado «movimento evangelical». Este movimento surgiu na Inglaterra durante o século18. A chamada conversão de John Wesley (1703-1791) em 1738 é considerada como o começo desse movimento. As ênfases foram a insistência em um rigoroso padrão de conduta pessoal, uma auto-análise frequente da consciência, a conversão pessoal, a infalibilidade da Bíblia, a justificação pela fé e uma grande importância ao papel dos leigos.

O movimento evangelical foi repudiado pela Igreja de Inglaterra e Wesley teve que pregar em espaços abertos fora dos templos. Entretanto, até o dia da sua morte Wesley se considerou um fiel ministro da Igreja de Inglaterra onde tinha sido ordenado. Posteriormente os membros do movimento iniciado por Wesley, entre eles seu próprio irmão Charles Wesley, e George Whitfield levaram os princípios do movimento aos Estados Unidos, influenciando o chamado Primeiro Grande Avivamento, criando assim o movimento anglo-americano, chamado Metodismo, o qual quebraria os vínculos com a Igreja Anglicana.

Dentro de Inglaterra o movimento nutriu-se dos chamados grupos “não conformistas” [8] que conformariam, posteriormente as igrejas congregacionalistas e baptistas. Posteriormente os descendentes dessa linha de pensamento de orientação pietista que permaneceram dentro do anglicanismo foram conhecidos como o “partido evangelical”.

Mas o movimento evangelical não foi somente um movimento aparte do anglicanismo oficialmente estabelecido na Inglaterra, porque já para fins do século 18 sua influência fazia-se sentir dentro da própria Igreja da Inglaterra. A Universidade de Cambridge foi um centro do movimento dentro da própria Igreja da Inglaterra. Figura importante foi Charles Simeon, que propiciou o treinamento dos clérigos enfatizando os valores morais e éticos. Outras figuras foram William Wilberforce e Granvile Sharp, cujo principal interesse foi o melhoramento social dos trabalhadores. Também o movimento evangelical teve um importante papel no movimento antiescravista e na temperança social no meio da revolução industrial em Inglaterra durante o século 19.

Também o chamado «Socialismo Cristão» do século 19 teve sua origem no movimento evangelical . Destacam-se figuras como Frederick Deninson Maurice, Charles Kingsley, Tomas Hughes e James Keir Hardie. Este movimento proclamou que Jesus foi o primeiro socialista.  Posteriormente Hardie será o fundador do Partido Trabalhista na Inglaterra[9].

Vemos assim que por quase meio século, até a primeira metade do século 19, o movimento evangelical, apesar de sua ênfase puritana, teve um caráter progressista. Porque, por um lado, rejeitou tanto um puritanismo estremo que negava a importância do material, assim como um moralismo fechado e dogmático. E, por outro lado, quando estabelece a relação entre o material e o espiritual, abriu o caminho para a consequente participação dois leigos na vida social.[10]

Contudo, no presente, e particularmente a partir do século 20 o movimento evangelical, em termos gerais, ainda que não sempre, se identifica com posições conservadoras. Este último demonstra a relação que pode existir de maneira estreita entre conservadorismo teológico e conservadorismo ético e social.

Em resumo, poderíamos dizer que atualmente o movimento evangelical, que atravessa tangencialmente todas as denominações cristãs, e certamente se encontra também presente dentro do anglicanismo, enfatiza:

  • O cânon protestante das Escrituras como única fonte de autoridade.
  • A doutrina protestante/reformada da «sola scriptura».  
  • A salvação a través da fé, dando relativa importância às obras.
  • A historicidade dos milagres, o nascimento virginal, a crucifixão e a ressurreição de Jesus.
  • Em alguns casos, uma escatologia milenarista com uma forte ênfase na segunda vinda como um evento histórico.
  • Uma aproximação literal ao texto bíblico.
  • No ético adotam também posições conservadoras com relação a problemas atuais como:  aborto, família, matrimônio, sexualidade em geral, e orientação sexual em particular.
  • Já no social, em termos gerais, assumem posições politicamente conservadoras.

Porém, devemos ter cuidado em nossas valorações, pois a herança reformada forma parte do «ser anglicano».  E não todas aquelas pessoas que se colocam mais para o lado protestante dentro do anglicanismo –no litúrgico, no bíblico e no teológico- são conservadoras ou literalistas no que diz respeito à aproximação ao texto bíblico, ou conservadoras no ético e político. Não devemos confundir a ênfase no reformado ou protestante com o atual pensamento evangelical.

Nossa herança católica[11]

O termo anglo-católico ou anglo-catolicismo identifica as pessoas, grupos, a teologia, os costumes e as práticas litúrgicas dentro do anglicanismo que enfatizam a continuidade com a tradição da igreja universal de todos os tempos.  E desde a reforma inglesa sempre têm existido anglicanos que se identificam estreitamente com a tradição histórica da Igreja, ou seja, com nossa herança católica.  Porém, o conceito de anglo-catolicismo como um grupo distintivo dentro do anglicanismo alcançou preeminência sob a influência do Movimento de Oxford.

Então, como um grupo ou partido distintivo dentro do anglicanismo moderno o termo anglo-católico tem sua origem em 1833 entre um grupo de sacerdotes da Universidade de Oxford, em Inglaterra.  As lideranças do movimento foram John Keble, John Henry Newman e Edgard Pusey. O movimento começou como um protesto pela interferência do parlamento nos assuntos internos da Igreja da Inglaterra.

O detonante do movimento foi o famoso sermão de John Keble pregado na Capela da Universidade de Oxford chamado “A Apostasia Nacional” (1833).  Posteriormente Keble, Newman e Pusey publicaram uma série de apostilhas conhecidas como “Tratados para esta Época” (Tracts of the Times)[12]. A partir desse momento os membros do movimento foram conhecidos como «os tractarianos».

Depois da declaração do Sínodo de Oxford em 1845 acusando o movimento de papista, John Henry Newman e um número de aderentes deixaram de Igreja da Inglaterra e entraram na Igreja Católica Romana em 1845. No entanto, tanto Keble como Pusey permaneceram dentro da Igreja de Inglaterra. Deste modo, o anglo-catolicismo salvou-se para a Igreja da Inglaterra. Posteriormente Newman seria nomeado cardeal pelo Papa Leão XIII (1879)[13], sendo beatificado em 2010 pelo Papa Bento XVI[14].

Ao princípio o Movimento de Oxford esteve inspirado em uma forte rejeição ao liberalismo[15] e o latitudinarismo[16]. Mas também a questão central e inicial do movimento teve a ver com a própria natureza da Igreja, tendo em conta que no século 19 havia na Inglaterra duas visões diferentes.

A primeira aproximação via a Igreja sem uma existência independente da nação.  A Igreja era mais ou menos o lado espiritual da sociedade civil, uma espécie de «Departamento de Estado para Assuntos Religiosos».  E de acordo a esta visão a missão da Igreja tinha a ver mais com o melhoramento da qualidade de vida nacional –uma espécie de consciência nacional- que com a salvação integral das pessoas e da sociedade como um todo.

Mas por outro lado havia outra visão associada ao movimento evangelical que pensava da Igreja como uma sociedade espiritual invisível que não podia ser identificada e estar limitada à instituição chamada Igreja. Os crentes, de acordo a esta visão, podiam unir-se às instituições chamadas «igrejas», mas essas instituições incluíam membros que não haviam feito uma decisão pessoal e individual, e que, portanto, estavam fora da «verdadeira igreja».

Então, ante estas duas visões, o grande logro do Movimento de Oxford foi proclamar uma terceira visão, fortemente fincada nas Escrituras e na Tradição.  Esta visão via à Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja, como a comunidade fundada por Jesus Cristo para realizar sua missão na sociedade até o fim dos tempos.

Segundo a visão do Movimento de Oxford, a Igreja, à qual se entra pelo batismo, tem sua plenitude e identidade mantendo o episcopado histórico e confessando a fé contida nos Credos históricos e nos Concílios.  Por isso, de acordo a essa visão, as três grandes ramas da cristandade são: A Igreja Anglicana, a Igreja Católica Romana e a Comunhão Ortodoxa.

Para o Movimento de Oxford a fé não é a causa, senão mais bem o fruto da identidade cristã, e todos os cristãos são chamados a uma vida santa a través da disciplina espiritual, a oração e a recepção regular dos sacramentos.

Esta visão provocou, como já apontamos, uma renovação teológica e espiritual em todo o anglicanismo desde 1830 até o presente.  E ainda que a situação de hoje seja muito diferente, e também a projeção atual do anglo-catolicismo tem diferentes posicionamentos, o anglicanismo deve muito ao Movimento de Oxford.  Por um lado, porque evitou que o anglicanismo caísse em uma piedade individual estreita, onde a ênfase em uma vida religiosa subjetiva eclipsasse o papel da Igreja e dos sacramentos na vida cristã e na missão da Igreja na sociedade.  E por outro lado, ao recuperar para o anglicanismo uma visão de plenitude, universalidade e integridade que não podemos ignorar.[17]

No  presente o anglo-catolicismo apresenta duas posições principais.  Por um lado, temos a posição clássica que enfatiza manter a tradição e a doutrina na linha das Igrejas Católica Romana e Ortodoxas, e que também estabelece alianças com o partido evangelical da chamada «Igreja baixa», defendendo, por exemplo, posições tradicionais e conservadoras sobre moralidade e sexualidade humana.  Por outro lado, temos outro grupo influenciado pela teologia liberal, corrente de pensamento que entra no anglo-catolicismo sob a influência do pensamento de Charles Gore[18], que aceita a aproximação crítica ao texto bíblico, a linguagem inclusiva nas traduções da Bíblia e na liturgia, a ordenação de mulheres e, além disso, assumem posições progressistas em assuntos de ética sexual, quando aceitam e defendem abertamente a presença de lésbicas, gays e bissexuais no sacerdócio e na vida da Igreja em geral

A identidade anglicana

Falar sobre a identidade anglicana levanta uma questão: Existe uma teologia anglicana? A resposta a esta pergunta nos leva a afirmar que não há um sistema teológico reconhecidamente anglicano, nem um corpo de doutrina perfeitamente delineado. Nossa maneira de ser é contrária à teologia sistemática. Também não temos documentos confessionais nem fundadores reconhecidos como Lutero, Calvino ou Wesley; afirmamos ter a fé católica, ou seja, o ensino da igreja indivisa. De fato os 39 Artígos da Religião não são um credo nem uma exposição doutrinal completa, porém tentaram posicionar a Igreja da Inglaterra com relação aos católicos romanos, os anabatistas e os puritanos. Apontaram apenas as distorções medievais e não pretendiam ser um tratado sistemático de Fé. Deste modo, o anglicanismo aprecia altamente a liberdade espiritual, de maneira que resiste em ter orientações oficiais e em disciplinar hereges.

No entanto, os anglicanos têm uma posição teológica. E ela vive da Palavra de Deus (as Escrituras), na Tradição, e faz uso da Razão e da Experiência, e aberta para novos tempos e novas circunstâncias. Dessa maneira, para os anglicanos a tarefa teológica é e deve ser sempre interina, provisória e plural.

Ora, onde está a fonte e a matriz da qual nasce e se forja a identidade anglicana?  A matriz é a única obra teológica que o anglicanismo oferece: o Livro de Oração Comum. A versão definitiva do LOC que apareceu em 1662 se considera um clásico da literatura inglesa.

O LOC oferece:

a) O contexto da comunhão (koinonia) e do mundo em que a Igreja vive e participa da Missão de Deus.

b) O conteúdo ou ingredientes principais da teologia, ou seja, as Escrituras, a tradição da doutrina, vida e missão da Igreja.

c) A perspectiva doxológica, escatológica, missionária e pastoral necessária para uma teologia.

O que o Prefácio do Primeiro LOC procurou dizer a respeito das formas e usos da Liturgia vale também para a teologia. Esse Prefácio demonstra um grande esforço de bom senso e liberdade, ao abrir a possibilidade de alterar as formas e usos da Liturgia, sem tocar no essencial. Já o Prefácio do chamado Livro Alternativo inglés expressa que os cristãos são formados pelo modo como eles oram, e o modo como eles oram expressa o que são… as palavras, e mesmo as palavras de consenso, são apenas o começo da adoração; os que as usam fazem bem em reconhecer o caráter transitório e sua imperfeição; devem tratá-las como escada e não como alvo; devem reconhecer seu poder para moldar a fé e animar a devoção sem alegar que são perfeitamente adequadas para tal propósito. Por sua vez, o Prefácio do LOC canadense é mais enfático quando afirma que o trabalho da reforma litúrgica é inacabado, nunca termina.

E será precisamente no Prefácio desse Primeiro LOC onde se forjou o que se chama «a via media anglicana».[19]

 A «via media anglicana»: inclusividade/abrangência

Vimos, assim, que o que identifica o anglicanismo não é um corpo doutrinário, porém um estilo ou método teológico marcado pela ênfase pastoral, com uma disposição de adequar, durante a caminhada, as inevitáveis diferenças que surgem em toda jornada. Essa disposição é chamada em inglés «comprehensiveness»[20], termo que aparece durante o reinado de Elizabeth I (1533-1603) com o objetivo de assegurar a unidade da nação e da Igreja. Segundo Maraschin, a melhor tradução ao portugués seria «inclusividade», ou «abrangência»[21]. Ou seja, «inclusividade» como a disposição para incluirmos na nossa experiência cristã a longa e rica tradição católica da Igreja Universal, ao mesmo tempo em que nos abrimos para as redescobertas da Reforma Protestante e para as «coisas novas» que o Espírito está constantemente ensinando à Igreja; e «abrangência» com o sentido de aceitação dos contrários.

Mas, tanto Calvani quanto Maraschin questionam no presente o conceito de «inclusividade/abrangência» como não isento de riscos e ambigüidade, porque o conceito, segundo eles, poderia carregar o conceito contrário de «exclusividade» já que, por um lado, todos sabemos que é difícil aceitar o que nos incomoda, e por outro lado, porque tentar estabelecer previamente limites à diversidade é decretar que não a aceitamos.[22]

Já entre os séculos XVI e XVII, no meio das oscilações e disputas da Igreja da Inglaterra entre o catolicismo-romano e o puritanismo, aparece o termo «via média».  Esse princípio que tem sua origem no pensamento de Richard Hooker (1554-1600)[23] foi retomado no século XIX pelo Movimento de Oxford, no meio das graves e profundas tensões que atravessou a Igreja da Inglaterra, nas controvérsias entre as tendências protestantes e romanista. E será a partir desse momento que a chamada «via média anglicana» afirma-se como o princípio fundamental da «unidade» e identidade anglicana.

O Prefácio do Primeiro LOC estabelece a «via media» como o meio termo entre a recusa rígida de mudança e a facilidade em fazer mundança, entre a excesiva reverência pelo passado e desnecessária mudança e comprensividade, ou seja, não isto ou aquilo, mas isto e aquilo. Por sua vez, o  liturgista norte-americano Massey H. Shepherd (1913-1990) em seu comentário ao LOC norte-americano  define a «via média anglicana» como uma visão orgânica da Igreja, que preserva a continuidade estrutural com as gerações passadas, mas como sendo uma realidade viva, que se adapta ao ambiente em constante mudança. É a figura da Igreja em peregrinação[24], ou da Igreja em transição, no dizer de Maraschim[25].

No entanto, e até hoje, no meio da caminhada ecumênica, alguns entendem o termo como o equilíbrio entre o catolicismo e as igrejas evangélicas, falando-se do anglicanismo como a «igreja-ponte» que evita os abusos e erros de cada lado e acolhe os acertos. Outros, de maneira ainda mais simplista falam que somos uma «igreja-ponte» porque temos liturgia romana e teologia protestante.

Entretanto, a «via media anglicana» não é nada disso. Não é como muitos anglicanos pensam, ser uma «igreja-ponte» porque, por um lado, o Movimento de Oxford reagiu tanto contra Roma como contra os protestantes puritanos; e, por outro lado, porque entender a chamada «via média» dessa maneira poderia dar a impressão, como bem aponta Calvani, que o anglicanismo é superior às igrejas protestantes reformadas e o catolicismo-romano, porque teria alcançado e desenvolvido um pretenso equilíbrio que as outras igrejas não alcançaram[26].

A «via media anglicana» certamente não é uma vitrine para os de afora, nem para convencer a outros que somos muito moderados. Além do mais, nada mais longe da realidade, porque não podemos ser moderados para o exterior e extremistas em casa, como tem acontecido nos últimos tempos com os debates e conflitos ao redor da temática da homossexualidade.

Dessa maneira, certamente concordo com Calvani e Maraschin no sentido de que tanto o conceito «inclusividade/abrangência» quanto o conceito de «via média» não estão isentos de risco e ambiguidade. Não obstante, concordo também com o teólogo cubano Odén Marichal que podemos retomar e repensar tanto o conceito de «inclusividade/abrangência» quanto o conceito de «via média», não como um compromisso para conciliar duas partes em discrepâncias, senão como «um movimento para a unidade e um método para compreender a diversidade dentro de nós mesmos», com respeito e ética, sendo realmente mais amplos, flexíveis, e respeitosos com as outras pessoas e suas ideias[27]. Ou seja, na prática, é deixar que cada Província da nossa Comunhão assuma suas próprias opções, tendo em conta suas características culturais, sem rejeitar-se, nem excomungar-se mutuamente. Porque como bem expressa o teólogo pós-moderno Gisbert Greshake, a «unidade» só se justifica se ela se expressa de modo plural: no «ser/estar com», em reconhecimento do outro, em mútua troca e mútua complementação; e a «pluralidade» só se justifica se nossa diversidade – a riqueza da alteridade – confluir em doação mútua e na unidade do amor[28].

 Igreja Alta – Igreja Baixa – Igreja Ampla

Como resultado do movimento de reforma e renovação que aconteceu na Igreja de Inglaterra no século XIX quase todo o mundo entende que nasceram duas tendências, que se identificam como «Igreja Alta» (high church) e «Igreja Baixa» (low church). A primeira conhecida como católica, liberal, e ritualista; e, a segunda de tendência protestante e conservadora. No entanto, essa conclusão não deixa de ser reducionista e simplista. Certamente, como já vimos, foram os dois extremos de um processo histórico, mas o qual não nega que houve, e ainda há, uma ampla gama de matizes entre elas.

No meio dessas tendências, no século XIX, aparece tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, o que poderia ser considerado uma síntese do pensamento eclesiológico anglicano que será conhecida como «Igreja Ampla» (broad church), no sentido de abrangente e não partidária[29].

Entretanto, o movimento da «Igreja Ampla» não teve como propósito ser um partido ou uma tendência a mais, porque convergiram nele as mais diversas posições: ritualistas, protestantes, liberais conservadores, etc.; também não reivindicou ser o «verdadeiro anglicanismo», sendo, de fato, um novo método ou caminho de abordar as diferentes opiniões dentro da Igreja com respeito e ética e aberto ao diálogo. Talvez o Congresso Anglicano de Toronto (1963)[30], com seu lema de «mútua responsabilidade e interdependência no Corpo de Cristo», e que afirmou a missão da Igreja ao mundo a partir de nossa pluralidade e diversidade cultural, possa ser considerado um expoente desse movimento da «Igreja Ampla».

A Comunhão Anglicana: perspectivas e desafios futuros

Até o século XIX não existia a Comunhão Anglicana. Antes dessa data existiam apenas relações eclesiásticas entre os bispos e líderes eclesiásticos produto dos esforços missionários coloniais britânicos e de iniciativas missionárias norte-americanas.

a)      Nosso «mito de origem»

No dizer de Calvani, nosso «mito de origem», usado o termo no sentido antropológico, ou seja, não como algo irreal falso, ou uma mentira, mas como explicação simbólica de certas relações sociais[31], tem sua origem quando John William Colenso (1814-1883)[32], primeiro bispo da Diocese de Natal, África do Sul, adotou o método histórico-crítico para o estudo da Bíblia.

Se bem o método histórico-crítico é hoje comumente usado e estudado em qualquer seminário ou faculdade de teologia sem muitos problemas, na época Colenso foi acusado de «modernista» e «liberal» pelos grupos mais conservadores, e processado por heresia e finalmente excomungado, em 1863, pelo Arcebispo Gray da África do Sul. Posterioemente a Diocese de África do Sul revogou essa excomunhão e Colenso ficou na sua diocese até sua morte em 1883.

No entanto, o assunto Colenso causou um verdadeiro escandalo no mundo anglicano. E depois de muitas correspondências entre bispos da Inglaterra e outros países, o Sínodo Provincial da Igreja Unida de Inglaterra e Irlanda no Canadá, reunido em Montreal, em 1865, e a proposta do bispo de Ontario J.T. Lewis, encaminhou uma carta à Convocação de Cantuaria, a se reunir em14 de fevereiro de 1867, com copia ao Arcebispo de Cantuaria, C.T. Longley, pedindo a convocação de um Sínodo Geral da Igreja na Inglaterra e fora dela, para discutir diversos assuntos de política eclesiástica, entre eles o caso Colenso.

No meio de dúvidas e receios, a posição do Arcebispo Longley foi muito mais modesta que o que tinha pedido a Igreja Canadense. Aceitou convocar a assembléia, mas aclarou: “que fique claro que nesta reunião não se fará nenhuma declaração de fé e não se tomará nenhuma decisão que afete em geral os interessados da Igreja… Recusarei convocar qualquer assembléia que pretenda ditar cânones ou tomar decisões que afetem toda a Igreja”. E com essas palavras o Arcebispo Longley definiu o que foi e continua sendo a Conferência de Lambeth: não é um sínodo, nem um concilio, mas apenas um encontro ou assembleia de bispos reunidos a convite do Arcebispo de Cantuaria para discutir assuntos concernentes à Igleja, mas sem qualquer intenção legislativa.[33]

Por sua vez, a Conferência de Lambeth de 1930, em sua Resolução 49 afirmou:

A Comunhão Anglicana é a fraternidade/companhia/irmandade dentro da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, das Dioceses, Províncias ou das Igrejas Regionais devidamente constituídas em comunhão com a Sé de Cantuaria, tendo as seguintes características em comum:

a)  Manter, e propagar a fé e a ordem católica e apostólica expostas  no    Livro de Oração Comum, autorizado nas diversas Igrejas da Comunhão Anglicana;

b)  São Igrejas particulares ou nacionais e, como tais, promovem dentro do seu território uma expressão nacional de fé, vida e adoração cristãs;

c)  São vinculadas umas às outras, não por uma autoridade central legislativa e executiva, mas pela lealdade mútua sustentada pelo conselho comum dos bispos em Conferência.[34]

Desta maneira, tanto as palavras do Arcebispo Longley, quando aceitou convocar a primeira Conferência de Lambeth, quanto o texto da Resolução 49 da Conferência de Lambeth de 1930, deixam transparecer dois princípios eclesiológicos chaves do pensamento anglicano: «lealdade mútua/laços de afeição/comunhão» e «autoridade dispersa». E esses princípios têm sido capazes, até hoje, de manter um relacionamento mínimo entre as diversas igrejas de tradição anglicana espalhadas pelo mundo, apesar das diferenças e polêmicas.

Assim sendo, e tendo em conta que a Comunhão Anglicana não é uma instituição, mas uma fraternidade de igrejas irmãs em comunhão umas com as outras; e também tendo em conta que as instituições não são capazes de manter comunhão, e que mantêm no máximo acordos bilaterais enquanto for conveniente para ambas as partes, já que quem mantém comunhão são as pessoas, está certo Calvani quando expressa que a Comunhão Anglicana é um mito que, em seu potencial libertador, convida-nos à inclusividade e a considerar a liberdade de cada grupo que se abriga sob o guarda-chuva da «comunhão anglicana» de viver sua fé em Cristo de modo diferente; e também, que a palavra «Comunhão Anglicana» expressa muito mais um propósito e uma disposição assumidos por cristãos e cristãs de orar uns pelos outros, apoiar-se mutuamente, trocar experiências e crescerem juntos respeitando suas diferenças. A «Comunhão», entendida esta como «koinonia», não é sustentada pelo consenso de idéias, mas pela disposição de aceitar o/a outro/a com suas diferenças, assim como Cristo nos acolhe e aceita[35].

b)     Ser anglicanos hoje…

 É certo que como consequência da resolução da Conferência de Lambeth em 1998, que categoricamente refere-se à homossexualidade como “incompatível com as Escrituras”, posteriormente a nomeação de Jeffrey John como Bispo de Reading (Inglaterra), a eleição e sagração de Gene Robinson como Bispo de New Hampshire (Estados Unidos), as declarações da 74a Convenção Geral da Igreja Episcopal nos Estados Unidos da América e do Sínodo Geral da Igreja Anglicana do Canadá 2004, que vêm com bons olhos ou aprovam a benção de uniões de pessoas do mesmo sexo, tem aparecido opiniões que ameaçam a própria integridade do anglicanismo. Talvez nunca antes a Comunhão Anglicana esteve envolvida em um debate tão acalorado como esse da sexualidade humana.

No entanto, penso que não devemos maximizar o problema. A «crise» da Comunhão Anglicana, no dizer de Calvani, e eu acrescentaria, «as crises» da Comunhão Anglicana não foram provocadas pelos teólogos liberais, nem pelo Movimento de Oxford, nem pelos debates sobre a poligamia, nem pelos debates ao redor da ordenação feminina, nem agora pelos homossexuais. Talvez viver nesse conflito seja parte de nossa vocação e nosso «ser anglicano».

Nesse sentido comenta Stephen Nell,

 “… desde o Movimento de Oxford, em 1833, os conflitos e tensões têm sido tão grandes que os observadores de fora têm se perguntado como é que as Igrejas Anglicanas podem se manter juntas, e como é que aqueles que parecem diferir tão gravemente em quase todos os aspectos da verdade cristã conseguem permanecer unidos dentro dos limites de uma só comunhão. Mas esses conflitos e tensões podem ser considerados não como uma debilidade, porém como o preço que deve ser pago a uma vocação particular”.[36]

Então, talvez tenha razão o teólogo cubano Pablo Odén Marichal quando afirmou: “para um anglicano, quando está ante uma Igreja tão diversa, não pode menos que assombrar-se e reconhecer que está ante um «misterium fidei», porque nada prevalece contra ela… apesar de nós mesmos”.[37]

Portanto, concordo plenamente com Calvani quando afirmou, que o momento histórico em que vivemos, por mais tenso que seja, é oportuno para que essa estrutura internacional que chamamos «Comunhão Anglicana» reafirme o carácter positivo de seu mito de origem, gestado nos conflitos pós-reforma inglesa manifesto nas primeiras Conferências de Lambeth[38].

E quero finalmente terminar, citando um trecho do que considero palavras proféticas e plenamente relevantes e que, aliás, considero um desafio para nós hoje, do informe do Comité sobre a Unidade da Igreja, da Conferência de  Lambeth 1948. Talvez essa declaração possa ser considerada a melhor expressão da natureza peculiar da Comunhão Anglicana, em si mesma, e em sua relação com o mundo cristão.

 “A coexistência de… posturas divergentes dentro da Comunhão Anglicana cria certas tensões; mas essas são tensões dentro de uma ampla margem de acordo na fé e na prática. Reconhecemos o prejuízo causado por essas tensões, mas também reconhecemos que são parte da vontade de Deus para conosco, já que acreditamos que é somente a compreensibilidade o que faz possível que se mantenham juntas na Comunhão Anglicana maneiras de compreender a verdade que outras igrejas professam por separado. Acreditamos que, dessa maneira, a Comunhão Anglicana cumpre sua vocação especial como uns dos instrumentos de Deus para restaurar a unidade visível de toda sua Igreja. Se no tempo presente apenas uma postura tivesse prevalecido sobre as outras, seríamos livrados de nossas tensões, mas somente ao preço de perder nossa oportunidade e nossa vocação.[39]

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[1] Apontes e notas para uma aula sobre «pensamento anglicano» no Instituto Anglicano de Estudos Teológicos (IAET/DASP)/São Paulo, 2011.

[2] Albano é o primeiro mártir cristão da Inglaterra, onde prestou serviço no exército romano, como soldado. Albano, cuja origem talvez fosse romana, residia em Verulamium, a cidade-fortaleza construída pelos romanos a sudeste da ilha britânica, perto do rio Coverteu-se ao cristianismo e foi executado o dia22 de junho de 429.

[3] Confira Vera Lúcia Simões de Oliveira, www.regiao1.ieab.org.br/rps/ed%20crista/historia.do.anglicanismo.pdf

[4] Jaci Maraschin, “Inclusividade ou exclusividade?”, em: Simpósio acadêmico de Teologia Anglicana – O conceito de inclusividade, Editora Nova Letra, Porto Alegre, 2004, (Centro de Estudos Anglicanos/CEA), p.56.

[5] Charles Kingsley (1819-1875), novelista, historiador e sacerdote anglicano, professsor de História Moderna na Universidade de Cambridge (1860). Veja, http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Kingsley

[6] Confira Stephen Neill, El Anglicaniso, M.C.E. Horeb, Barcelona, 1966 (Publicado pela Igreja Espanhola Reformada Episcopal), p.284. Original em lingua inglesa: Stephen Neill, Anglicanism, 4ta edição, Oxford University Press/USA/1978.

[7] Confira B. Leeming, “Anglicanismo: Comunión Anglicana”, em: Sacramentum mundi, 1, p.172-176, http://www.mercaba.org/DicEC/anglicanismo_comunion_anglicana.htm

[8]« Não conformistas», nome dado a partir do século 17 ao partido puritano dentro da Igreja de Inglaterra que se identificou e enfatizou os princípios do movimento da reforma. Posteriormente abandonaram a Igreja de Inglaterra. Incluem Metodistas, Wesleyanos, Metodistas Primitivos, Quakeros, Baptistas, Unitários, Congregacionalistas e Exército de Salvação.

[10] Confira agora Stephen Nell, op. cit., pp.157-188 e pp.218-236.

[11] Quando aqui usamos o termo «católico» entendemos o termo como expressando os vínculos históricos que tem o anglicanismo com a tradição da Igreja universal a través de todos os tempos. Ou seja, queremos expressar nossa universalidade.

[12] Stephen Neill, op. cit., p.238.

[13] Idem. p.243.

[14] Confira John Henry Newman, em: http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Henry_Newman

[15] O liberalismo é uma corrente de pensamento política, econômica e social que teve influencia também no pensamento teológico desde o século 19 até o presente. No meio dos grandes problemas sociais da Revolução Industrial na Europa durante o século 19, o liberalismo enfatizou as liberdades e direitos individuais e proclamou a limitação da influência do Estado na vida econômica e social (Adam Smith, Stuart Mill, Jeremy Bentham, John Rawls). No teológico o movimento liberal protestante do século 19 enfatizou a libertad intelectual na aproximação bíblico teológica e os valores éticos e humanitários do cristianismo (Friedrich Schleirmacher; Albrecht Ritschl;  Ernst Troeschl). Veja “Liberalismo”, em: http://afilosofia.no.sapo.pt/11Liberalismo.htm; http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo; também “Teologia Liberal”, em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_liberal.

[16] O latitudinarismo foi um movimento dentro da Igreja de Inglaterra que teve sua origen no século 17 e teve influência até o século 19. Opunha-se .à teologia dogmática e pedia o uso da razão na interpretação bíblica e teológica. Este partido o grupo pensava que os assuntos de doutrina, prática litúrgica e de organização da igreja tinham pouca ou relativa importância Em suas origens foram identificados com o grupo o partido da chamada «Igreja baixa» (low church), em contraste com o grupo o partido da chamada «Igreja alta» (high church). No presente as posições latitudinarias poderiam se colocar no que no presente se conhece como «Igreja ampla» (broad church). Veja Richard A. P. Stork, “Latitudinarismo”,  em: http://mercaba.org/Rialp/L/latitudinarismo.htm ; também “Latitudinarian”, em: http://en.wikipedia.org/wiki/Latitudinarian.

[17]ConfiraStephenNeill, op. cit., p.237ss.

[18] Charles Gore (1884-1932) foi uma liderança do movimento anglo-católico em Inglaterra durante o século 19. Foi Reitor da Faculdade Pusey, um centro teológico da Universidade de Oxford. Chegou a ser Obispo de Worcester (1902), de Birmingham (1905) e de Oxford (1911). Fundou a Comunidade da Ressurreição, uma comunidade de sacerdotes celibatários. Foi também fundador de União Social Cristã. Devido a sua influência houve uma mudança nos princípios originais do Movimento de Oxford e do anglo-catolicismo, que em suas origens rejeitou a crítica moderna e o espírito liberal. Gore reconheceu a importância da crítica bíblica na aproximação ao texto bíblico, e em questões teológicas esteve muito perto dos princípios do movimento latitudinário.  Com ele nasce o anglo-catolicismo liberal. Confira agora Stephen Heill, op. cit., p.255-256.

[19] Confira agora, Dom Sumio Takatsu, “Um jeito anglicano e ecumênico de fazer  teologia”, em: Revista Inclusividade,  9, 2004, (Centro de Estudos Anglicanos). Também,StephenNeill, op. cit., p.395-411.

[20] Quanto ao conceito de «comprehensiveness» veja William J. Wolff, “Anglicanism and Its Spirit”, em: The Spirit of Anglicanism, Morehouse/Barlow/Connecticut, 1979,  pp.178-187.

[21] Jaci Maraschin, op. cit., p.57.

[22] Carlos Eduardo Calvani, “O mito da Comunhão Anglicana”, em:  Simpósio acadêmico de Teologia Anglicana – O conceito de inclusividade,  op.cit., p.12 e Jaci Maraschin, op. cit., p.57.

[23] Richard Hooker (1554-1600), teólogo inglês. Nasceu em Exeter e estudou no Corpus Chirsti College da Universidade de Oxford. onde posteriormente chegou a ser professor de hebraico. Foi ordenado sacerdote na Igreja Anglicana em 1581. A partir dessa data morou sucessivamente em Londres, Boscombe e Bishopsbourne. Sua obra mais importante é Das leis e do governo da Igreja, formada por 8 volumes que foram publicados após sua morte entre 1594 e 1662, e cuja edição definitiva foi publicada em 1836 pelo clérigo e poeta inglês John Keble. O propósito da obra foi mostrar as vantagens da forma episcopal de organização eclesiástica face ao presbiterianismo. Hooker defendia que a lei natural é imutável e eterna; enquanto a lei positiva emanada do Estado, e aquelas que afetam a forma de governo, podem alterar-se segundo seja conveniente ou necessário. Além disso, apresentou como contrário à lei natural a interpretação mecânica que os puritanos faziam da Bíblia. Sua obra é considerada, também, uma obra mestra da prosa de estilo isabelino. Microsoft ® Encarta ® 2006. © 1993-2005 Microsoft Corporation. Reservados todos os direitos.

[24] Confira Dom Sumio Takatsu, op. cit.

[25] Jaci Maraschin, op. cit. p.65.

[26] Confira agora Carlos Eduardo Calvani e Jaci Maraschin, op.cit.

[27] Pablo Odén Marichal, “La sexualidad  humana en la Comunión Anglicana – Abriendo la Caja de Pandora en torno a un debate”, (Distribuido electrónicamente)

[28] Citado por Carlos Eduardo Calvani, op. cit., p.26.

[29] Confira William J. Wolff, op.cit., pp.155-157.

[31] Carlos Eduardo Calvani, op. cit. p.16.

[32] John William Colenso (1814-1883), foi matemático, teólogo, biblista e ativista social. Confira http://en.wikipedia.org/wiki/John_William_Colenso

[33] Confira agora Carlos Eduardo Calvani, op. cit., e também Stephen Neill, op. cit., pp.284-289; 337-348.

[34] Lambeth Conference,  1930,  Resolução 49,  http://lambethconference.org .

[35] Confira agora Carlos Eduardo Calvani, op. cit., pp.15-17.

[36]StephenNeill, op. cit., p.404.

[37] Pablo Odén Marichal, Carta Parroquial : Separata doBoletínda Paróquia” Fieles a Jesús”,/Matanzas/Cuba, (Distribuído eletronicamente)

[38]CarlosEduardoCalvani,  op. cit., p.28.

[39] Lambeth Conference, S.P.C.K. 1948, pp.50-51.

_______________

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Discussão

2 comentários sobre ““… conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. (Jo 8,32)

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